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3 de mai. de 2014

Nicotina: a molécula do prazer

Apesar de estar lutando para me livrar da dependência da nicotina, sou apaixonada pela química das drogas e, por isso, resolvi escrever um post exclusivamente para ela. Meu intuito é satisfazer a curiosidade de pessoas que estejam passando por este momento de abstinência e que queiram obter informações sobre esta substância tão prazerosa, que nos torna tão dependentes.

A nicotina é uma substância encontrada em folhas de plantas do gênero Nicotiana, sendo que as duas espécies mais conhecidas na América do Sul são: a Nicotiana tabacum e a Nicotiana rustica. As folhas secas destas plantas são utilizadas para produzir o tabaco. A nicotina é uma substância química do grupo dos alcaloides, que são compostos caracterizados pela presença do átomo de nitrogênio, como pode ser observado na figura abaixo:


        



Molécula de nicotina




Antigamente, o tabaco era utilizado como inseticida nas lavouras e logo foi popularizado o seu uso como fumo em cachimbos, ou mesmo mascados e até sob a forma de chás. Porém, ninguém tinha ideia dos males causados pelo seu uso.
Hoje, sabemos que o cigarro de tabaco contém milhares de substâncias nocivas além da nicotina, mas é ela a causadora do prazer e da dependência química. Mas, o que a danada da nicotina faz?

Quando tragamos o cigarro, a nicotina é rapidamente absorvida pelos alvéolos pulmonares, atingindo o cérebro em cerca de 10 segundos. Lá elas encontram seus receptores, que são moléculas proteicas com alta afinidade para a nicotina, estes receptores são conhecidos como nicotínicos. Todos nós possuímos estes receptores e é por isso que, uma vez em contato com a nicotina, todos nós podemos sentir o prazer provocado por ela, mas nem todos nós seremos dependentes, pois existem alguns componentes genéticos que influenciam neste quesito (assunto para outro post).

Mas... e como a nicotina provoca a sensação de prazer? No sistema nervoso central, a nicotina ao ativar seus receptores nicotínicos provoca a liberação de hormônios responsáveis pelo prazer, como a dopamina e a serotonina. Porém, não existem receptores nicotínicos apenas no cérebro, temos estes receptores em diversas partes do corpo, como em músculos, glândulas e nervos, por isso que a nicotina causa diversos efeitos fisiológicos, além do prazer. Abordarei sobre estes efeitos em outro momento.

Como dou aula de fisiologia e farmacologia, tive o maior cuidado para não escrever de forma técnica, espero ter sido didática :)

Plantação de Nicotiana tabacum

Folhas secas da Nicotiana tabacum usadas para fabricar o cigarro de tabaco

28 de abr. de 2014

1º dia sem cigarro - 2ª tentativa

Estou de volta! E dessa vez é para valer!!!
Mais do que nunca estou decidida a não colocar mais nenhum cigarro em minha boca e dessa vez será definitivo.

Como na 1ª tentativa, escolhi uma data para esse intento, pois essa história de parar aos poucos (diminuindo a quantidade de cigarros durante o dia) para mim não dá certo, sou muito compulsiva e comigo isso não funciona. Então, escolhi uma data e um horário para fumar meu último cigarro: dia 26/04/2014, às 18hs, fumei meu último cigarro.

Escolhi esta data porque estava voltando de uma viagem maravilhosa que fiz e acredito que o ideal é escolher um momento em que a vida não esteja atribulada e que os níveis de estresse estejam mínimos. É claro que momentos estressantes sempre existirão, mas é melhor que os primeiros dias sem cigarro, que são os piores, não sejam em momentos muito estressantes.

Na verdade, ia parar no início da viagem. Mas na cidade que eu fui as pessoas fumavam muito, nunca vi tanta gente fumar como em Buenos Aires. Então, ficou muito difícil parar quando eu estava lá. Inclusive, indico aos que desejam parar de fumar que peçam ajuda aos familiares e/ou amigos que também fumam, pois fica muito complicado parar de fumar e ficar vendo fumantes ao redor bem como sentindo o cheiro de cigarro.
Durante a semana que estava lá, tentei reduzir o número de cigarros durante o dia, mas à noite era mais difícil, pois não resistia aos maravilhosos vinhos argentinos e, como todo fumante sabe, o álcool aumenta a vontade de fumar. Por isso, agora vou dar um tempo no álcool e no café preto do dia-a-dia. É essencial maneirar no consumo desses estimulantes pelo ao menos neste momento inicial, durante o primeiro mês.

Meu primeiro dia sem cigarro nesta 2ª tentativa foi bem mais tranquilo que na 1ª, não sei exatamente o motivo, já que na 1ª tentativa eu também estava numa viagem maravilhosa. Mas, o que posso dizer é que cheguei ontem de viagem e passei meu primeiro dia sem cigarro tranquilamente, sem irritabilidade e episódios depressivos, apenas com aquela constipação intestinal comum de quando paramos de fumar, devido a ausência da nicotina (que é estimulante do sistema nervoso parassimpático... pretendo fazer um post futuramente sobre os efeitos fisiológicos da nicotina para que possam entender melhor seus efeitos no nosso organismo e, consequentemente, os efeitos de sua abstinência).

Não posso deixar de levar em consideração que passei o 1º dia sem cigarro em casa e sem problemas externos relacionados ao trabalho. Talvez isso tenha ajudado em o dia não ter sido tão irritante. De qualquer forma, dessa vez vou me manter firme, não deixarei que pessoas ou momentos estressantes me façam acender um cigarro. Mais que nunca quero parar com esse vício maldito, e estou terminando o 2º dia sem cigarro firme e forte.

Escreverei aqui diariamente e partilharei das minhas experiências com vocês! Boa sorte para mim e para todos que estejam neste mesmo barco. Contem suas histórias também, isso ajudará a me manter forte neste momento, bem como ajudará outras pessoas que também acompanham este blog.


Rio de la plata (Argentina)- leve consigo meu último cigarro!