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18 de ago. de 2014

Pastilhas mastigáveis de nicotina

62 dias sem fumar

Essas foram as gomas de mascar que encontrei na farmácia:


Vim aqui contar para vocês como foi a minha experiência com elas!

Vamos por partes...
Cheguei na farmácia e pedi uma cartela de pastilhas de nicotina, igual a que usei no primeiro mês (veja aqui), pois não queria comprar muitas pastilhas para não me habituar a usar nicotina terapêutica todos os dias. Porém, não encontrei as pastilhas em nenhuma das três farmácias próximas à minha casa. Só encontrei essa caixa de chicletes com 30 unidades e o jeito foi levá-la mesmo! Estou decidida a usar apenas um chiclete por dia e quando realmente a abstinência estiver violenta.

A bula contém todas as instruções de uso... mastigar o chiclete e depois repousá-lo dentro da boca, para que a nicotina seja absorvida pela mucosa bucal. Fiz exatamente como indicado e, após 25 minutos, senti muito enjôo, muito mesmo. Corri para minha caixa de medicamentos e tomei um pasil (antiemético usado para aliviar náuseas). Após um período de aproximadamente uma hora melhorei. Ufa, que sufoco! 

Depois disso a primeira coisa que pensei foi no péssimo investimento que havia feito, pois essa caixa custou 47 reais e ainda tinham mais 29 chicletes, o que iria fazer com eles?
Por outro lado, pensei que no final das contas a vontade de fumar havia passado, já que passei o resto do dia meio enjoada e não passava pela minha cabeça fumar (será que se eu fumasse um cigarro eu também sentiria essa náusea? Creio que sim, pois meu corpo já estava limpo de nicotina).

Foi então que pensei numa tática para usar os chicletes até a caixa terminar!
Resolvi tomar um plasil meia hora antes de usar os chicletes, assim evitaria o sintoma do enjoo.
E funcionou? Mais ou menos... senti menos náusea, mas senti! De qualquer maneira, consegui suprir momentaneamente o desejo por fumar.

Ah, se vocês observarem as informações na caixa desse medicamento, esses chicletes prometem ajudar no clareamento dos dentes, não é tentador? Vamos ver...

Em breve, conto mais impressões que eu tive dessas pastilhas mastigáveis!!!


SÓ POR HOJE...



17 de ago. de 2014

O dia da espera

2 meses sem fumar

Os meus últimos dias foram assim:


Estressante e altamente convidativo.

Fiquei completamente louca pra fumar.

Sabe aqueles dias em que temos milhões de coisas para fazer? Atividades burocráticas, chatas e que não podemos adiar... assim foi minha semana!

Todo fumante sabe que um dos momentos mais difíceis de suportar a abstinência é num momento em que temos que esperar algo, seja lá o que for... ainda mais quando essa espera significa tempo ocioso, como ficar sentada esperando várias pessoas serem atendidas antes de você.

Essa semana foi assim para mim, a vontade de ir lá fora fumar um cigarrinho foi grande, não foi fácil resistir. Pensei várias vezes em testar meus limites e comprar uma unidade de cigarro, tinham vários ambulantes na porta vendendo, em praticamente todos os lugares que fui nestes últimos dias.

E como eu consegui resistir? Ah, pensava em como foi difícil os primeiros dias sem cigarro e em tudo o que conquistei depois que parei de fumar. Respirava fundo e mentalizava que aquela sensação ia passar, que aquela necessidade profunda da nicotina para diminuir a ansiedade momentânea da espera, isso tudo ia acabar.

Depois de tudo isso, depois de 2 meses sem fumar e mais de um mês sem nicotina terapêutica, hoje resolvi comprar chicletes de nicotina. Sim, admito que estou por um triz e para não cair na tentação, resolvi alimentar a abstinência e usar a minha muleta. Pelo ao menos até que eu me sinta mais forte para seguir na luta sem ela.


SÓ POR HOJE...


28 de jul. de 2014

Como parei de fumar - convite aos leitores

Olá pessoal, estou aqui para convidá-los a relatarem um pouco da história de vocês com o cigarro.

Se alguém tiver interesse em escrever um post aqui no blog, relatando suas experiências com o cigarro, quando começou a fumar, há quanto tempo parou, as dificuldades que têm vivido, ou qualquer outra coisa relacionado ao tema, é só deixar seu e-mail aqui nos comentários que entro em contato logo em seguida.

Gostaria de interagir mais com os leitores do blog e trocar experiências.

Comecei a escrever no blog, dentre outros motivos, para desabafar minhas percepções e sensações desde que decidi parar de fumar, mas também sinto vontade de ler histórias e relatos de ex-fumantes e pessoas que estão na mesma situação que eu, por isso, resolvi criar esse espaço para vocês!


27 de jul. de 2014

Como parei de fumar - apoio físico

40 dias sem fumar

Mais um dia vencido, mais um dia por vir...

Parar de fumar é um exercício diário, é se observar e se controlar todos os dias. Todo dia um ex-fumante tem vontade de fumar. Dizem que depois do primeiro mês, a vontade diminui, mas comigo não foi assim, a vontade de fumar não passa de jeito nenhum, apenas diminui a frequência. 

É alucinante a tal da fissura; uma vontade forte que vem lá do seu íntimo, difícil e possível de controlar. Às vezes ela me pega de surpresa... 
Por exemplo, hoje acordei com tanta vontade de fumar um cigarro que fiquei tonta quando levantei. Quando isso acontece, para evitar recaídas, eu não tomo meu cafezinho. Na verdade, parei de tomar café e outros produtos com cafeína durante todo o primeiro mês sem fumar. Só agora nos últimos dias que eu ousei tomar um café com leite pela manhã.

Para me manter firme longe do cigarro, além de controlar o consumo de cafeína, eu diminuí a ingestão do álcool. Sinto que essas atitudes me ajudaram a evitar a associação do cigarro com a cafeína e o álcool, já que minha mente já está formatada para sentir o cheiro do café e da cevada, e atiçar os receptores de nicotina sedentos e viciados.

Outro apoio que busquei para diminuir o desejo do meu organismo por nicotina foram as atividades físicas: ioga e pilates. Gente, vale muito a pena dedicar uma hora por dia do seu tempo praticando algo que faça bem para seu corpo físico. E, particularmente, para quem gosta de "unir o útil ao agradável", essas duas atividades que escolhi são perfeitas para quem também quer exercitar a mente, e ainda reaprende a respirar.
Lembrando que alguns hormônios do prazer estão mais ofertados durante a prática do exercício físico e isso ajuda a diminuir a depressão da abstinência.

É isso, não dá para mudar um hábito enraizado por anos sem querer mudar seu estilo de vida. É muito complicado! Parar de fumar envolve evitar tudo que lembra o cigarro e que pode "ativar" a fissura, pelo ao menos no primeiro mês. E, também, é extremamente importante a prática de atividade física, seja ela qual for.

E vocês, o que têm feito para lidar com a abstinência?


SÓ POR HOJE...



25 de jul. de 2014

E a luta continua...

 38 dias sem fumar!

E quem disse que não sinto mais vontade de fumar?


Todos os dias tenho episódios de fissura pelo cigarro, não está fácil... 
As pastilhas de nicotina acabaram há uns dias e não quis mais comprar... 

Fui novamente ao dentista e tive notícias terríveis, tenho até vergonha de comentar... ah, como me arrependo de ter fumado! Olho meus dentes no espelho e vejo a burrice que fiz. Acho até que é isso que tem me mantido longe do cigarro... a preocupação com meus dentes, medo de perdê-los!

Vontade de fumar eu sinto todos os dias, sinceramente!

Mas estou tão bem sem ele (talvez nem tanto assim)... firme em meu objetivo e tentando me manter longe dele todos os dias... 


SÓ POR HOJE...



20 de jul. de 2014

32 dias sem fumar

Mais de um mês sem fumar...


Estou tão feliz! :)
Nem acredito que estou conseguindo...

Demorei, mas voltei! Quase um mês sem escrever no blog... provavelmente, vocês pensaram que eu sumi porque fracassei e voltei a fumar, não é mesmo? Porém isso não aconteceu... dessa vez estou firme e forte rumo ao  meu objetivo! Eu sumi porque realmente estou sem tempo para escrever, sempre tenho ideias para postagens, só que preciso de tempo. Estou tentando me organizar para dar mais atenção ao blog, afinal de contas, quero ajudar pessoas que queiram parar de fumar e que tenham as mesmas dificuldades que eu tive e ainda tenho. 

Confesso que ainda sinto muita vontade de fumar, tenho episódios fortíssimos de fissura (desejo intenso de fumar) que cada dia que passa são menores, mas que, quando surgem, são muito intensos. E o que tenho feito para controlar isso? Bem, primeiro eu bebo água, respiro fundo e começo a exercitar mentalmente os motivos que me fizeram decidir parar de fumar, lembro de tudo que passei para chegar até aqui e de todas as coisas que me incomodavam quando fumava, pois eu já não sentia mais tanto prazer fumando, quando acendia um cigarro me sentia mal, uma fracassada!

Quando a vontade é muito forte ao ponto de nada disso adiantar, eu uso uma pastilha de nicotina. Até hoje não usei mais de uma pastilha por dia e tem dia que nem uso. Às vezes passo até três dias sem usar a pastilha, enquanto que tem vezes que as uso por três dias consecutivos, mas nunca uso mais de uma pastilha por dia. Não quero me acostumar a usá-las, quero muito me livrar da nicotina e estou fazendo isso aos poucos, acho que estou indo bem. Usei os adesivos apenas nas primeiras três semanas e pronto! Venho me virando com as pastilhas...

É claro que não dá para "aguentar o tranco" só com as pastilhas... Continuo praticando ioga e pilates, bem como estimulando bons pensamentos diários, com o intuito de atrair boas energias a fim de evitar o estresse. Parar de fumar envolve mudança no estilo de vida, que não inclui apenas a prática do exercício físico, mas também o exercício mental. Por isso, tenho cuidado muito da minha mente e do meu corpo.

Além disso, estou evitando tudo que me lembre o cigarro... Há mais de um mês que não tomo meu café que tanto adoro. Passei todos os jogos da copa do mundo em casa, para evitar beber cerveja e estar entre pessoas que fumem. Depois de três semanas sem fumar, senti segurança para tomar umas duas cervejas antes de almoçar, a vontade bateu, mas aguentei firme! Por isso, sempre que posso evito ingerir álcool, é sempre bom evitar tentações...

É isso, estou sobrevivendo... 
Não está fácil, mas sou forte e vou conseguir!!!


Só por hoje...

Até breve!!!


22 de jun. de 2014

5 dias sem fumar - adesivo de nicotina

Sim, resolvi não esperar mais para dar um basta... estou sem fumar há 5 dias!!!


Dessa vez está diferente das tentativas frustradas anteriores. Estou usando o adesivo de nicotina (fase 1 - para quem fuma mais de 10 cigarros por dia), isso diminuiu muito a crise de abstinência dos primeiros dias. Não senti dor de cabeça nem aquela irritabilidade das outras vezes e isso foi fantástico!

De fato, a maneira correta de utilizar o adesivo de nicotina é logo depois de fumar o último cigarro, pra evitar que a vontade de fumar apareça. Eu coloquei o adesivo na manhã do dia 18/06, mas fumei meu último cigarro às 17h do dia anterior. Não queria colocar o adesivo logo depois que fumei, sabia que ia dormir cedo e ainda estava bem nesse dia, estava tranquila, aguentando firme a vontade de fumar, não precisava do adesivo.

Quando acordei no outro dia, a vontade apareceu bonita e logo coloquei o adesivo para aliviar. Não tomei meu café matinal para não instigar o desejo pelo cigarro, ao invés disso tomei um chá e tenho feito isso todas as manhãs. Sinto falta da cafeína, mas ela me lembra muito o cigarro, terei que evitá-la por um tempo!

Ah, ficar sem fumar está bem mais fácil com o auxílio da nicotina terapêutica, mas os velhos hábitos adquiridos com o cigarro ainda são difíceis de vencer. Um exemplo disto é o movimento com as mãos quando está lendo ou assistindo tv. Agora tenho que encontrar algo para que minhas mãos agitadas fiquem ocupadas nesses momentos. 
Normalmente, ocupo-as com comida! Tento não sair da minha alimentação saudável, mas acontece de cometer alguns exageros. Por isso, estou preparando um kit comida saudável para ajudar a substituir o cigarro nos momentos em que faz falta, depois eu mostro aqui no blog.

Essa noite sonhei que estava fumando e acordei com muita vontade, corri pra colocar o adesivo. Depois fiquei pensando... acho que não será fácil me livrar desse adesivo. Mas dessa vez está decidido, vou usar os adesivos até o último dia de tratamento, dessa vez não quero fracassar e sem eles não dá!

Só por hoje...



13 de mai. de 2014

Último fracasso

Quem acompanha meu blog desde o início já deve ter percebido que quando eu passo alguns dias sem postar o pior aconteceu, não é mesmo? Então, dessa vez não foi diferente. Eu desisti!
Demoro de postar porque tenho vergonha de vocês, meus leitores. Tenho vergonha de ter sido fraca e tenho medo de influenciar os que estão firmes e fortes. 

Na verdade, eu desisti de parar de fumar agora, mas isso não quer dizer que não vou parar, que desisti de vez. Apenas resolvi admitir minha impotência neste momento e assumir que não estou num momento ideal para enfrentar todos esses sintomas da abstinência. 

A questão é que estou no meu último ano de doutorado e o cerco está fechando. Vou fazer uma apresentação oral num congresso daqui a 15 dias e meus "tico e teco" não estavam funcionando direito. Não foi por falta de tentativa, passei 14 dias tentando me concentrar, estudar e produzir, mas não consegui.
Estou muito atribulada com artigos para ler, experimentos para fazer, apresentações orais para preparar e, simplesmente, passei duas semanas improdutivas apenas vivendo e tentando aprender a lidar com a abstinência da nicotina. Simplesmente, cansei! Cansei de me sentir depressiva e desanimada, cansei de ficar estressada e decidi que não será agora que irei me despedir do meu "querido" cigarro.

Ah, gente! Passei a minha vida inteira fumando, logo agora que estou terminando um ciclo em minha vida, eu tenho que ficar me angustiando por causa da falta que o cigarro me faz? Sinceramente, não acho que mais alguns meses fumando irão me matar. O que não dá mais é ficar arriscando meu futuro profissional por causa dessa abstinência, pois foi quase isso que aconteceu. Não dá pra entrar em detalhes por aqui, mas estejam certos que não foi à toa que tomei esta decisão.

Entretanto, é como eu disse... não vou desistir de parar de fumar, apenas não pararei agora. Programei uma data para deixar de vez o cigarro: 16/12/2014, no dia da minha defesa do doutorado, fumarei meu último cigarro!

E, para não deixar de escrever no blog, daqui até lá abordarei alguns assuntos que considero interessantes relacionados ao cigarro. Gosto de escrever e aproveitarei os meus conhecimentos sobre fisiologia e farmacologia para falar sobre os mecanismos fisiológicos da nicotina, sobre os tratamentos disponíveis, os fatores relacionados à dependência química desta droga, os malefícios causados pelo cigarro, bem como outros assuntos relacionados à este tema.

Apesar de ser fumante há mais de 10 anos, sou amante da alimentação saudável há mais de cinco anos e gostaria de compartilhar algumas informações oriundas de pesquisas e leituras que realizo há muito tempo, sobre alimentos que auxiliam na prevenção e na redução dos prejuízos causados pelo cigarro. Sempre fui defensora de que não adianta você não fumar e se alimentar mal. Tudo que ingerimos irá interagir com nosso corpo de alguma forma e não custa nada tentar diminuir os males causados pelo tabaco.

Agradeço à todos que me acompanham...
Peço desculpas aos que decepcionei...
E continuo torcendo pelos que estão na luta. Não desistam! Cada um tem a sua história...


8 de mai. de 2014

"Só por hoje"


Nunca esse "só por hoje" foi tão eficaz desde que parei de fumar. Por muito pouco, muito mesmo, eu quase desisti de tudo e fui na padaria comprar cigarro (toda vez que paro de fumar eu passo longe da padaria que tem aqui ao lado da minha casa, pois meu cérebro já a associa ao cigarro, era lá que eu ia todas as manhãs comprar meu maço de cigarros). 

O que aconteceu foi que, definitivamente, não consigo produzir sem o cigarro, é uma coisa muito louca isso, mas meu cérebro está condicionado a associar o cigarro ao estudo. Sinto-me depressiva sem meu cinzeiro ao lado do computador e isto está cada vez pior. Às vezes, penso que terei que trocar de atividade, fazer algo que não exija muito concentração, raciocínio, articulação de ideias e criatividade. Em minha profissão tem muitas áreas que são assim, que não exigem nada disso, que o trabalho é mais técnico e mecânico. Nunca gostei desses tipo de trabalho e foi por isso que partir para a área acadêmica, mas estou me rendendo à esta possibilidade, talvez assim eu consiga ficar sem o cigarro.

Infelizmente, não posso desistir do meu doutorado, não apenas por eu ser bolsista e precisar do dinheiro pra pagar minhas contas, mas também porque sei que me arrependeria amargamente por isso. Admito que já pensei em abandoná-lo, pois é por causa disso que não consigo largar o cigarro, não só pela falta de concentração, mas devido às dificuldades em lidar com os estresses gerados por ele. Tenho consciência que o problema está em mim, tenho que me reinventar, descobrir algo que substitua o "cigarro para pensar". Entretanto, na prática isso é muito difícil.

Ontem eu perdi a paciência com isso e decidi que hoje, quando eu acordasse, iria na padaria comprar meu cigarro. Dormi pensando que talvez agora ainda não fosse o momento ideal de parar e que eu ainda não havia recebido nenhuma sentença de morte por causa do cigarro. E que, por isso, eu ainda tinha o "direito" de fumar mais alguns dias. Só que não, eu não preciso esperar esta sentença.

Hoje acordei melhor, mais animada em me manter firme. Fiquei alguns minutos me olhando no espelho... percebi como minha gengiva está mais clara, antes ela era escura por causa do cigarro, tinha muito medo de ter câncer na boca e garganta; minha pele está menos opaca e mais viva.
Além disso, lembrei que ontem, quando estava voltando do ioga, subi a ladeira da minha casa correndo sem perder o fôlego, foi aí que percebi o quanto meu corpo está evoluindo e o quanto estão valendo a pena esses dias de sofrimento.

Tudo isso me fortaleceu a não ir na tal padaria, e a me manter firme e forte sem cigarros... 
"Só por hoje"...


7 de mai. de 2014

11º dia - fase depressiva

À beira da loucura!


11º dia sem cigarro e a abstinência não melhora em nada, ao contrário, só piora. 
Acho engraçado como alguns sites sobre abstinência são mentirosos. Aposto que quem os escreve nunca fumou, apenas leu o que dizem os artigos científicos sobre dependência da nicotina (e olhe lá). 
Não me canso de ler sobre o assunto e, quanto mais eu leio, percebo que nada me ajuda, pois, me sinto péssima quando leio que com o tempo os sintomas vão diminuindo e vejo que comigo isso não acontece.
Nos primeiros dias sempre me sinto feliz por estar sem fumar, sinto que vou conseguir, apesar de todos os sintomas pesados como dores fortes de cabeça, enjoos e tonturas... mas, mesmo assim, me sinto animada. Só que com o passar dos dias essa animação vai se afastando e a depressão vai se instalando. Começo a sentir uma tristeza profunda de abandono e solidão, que saudade do meu companheiro!

Ah, e o que mais sinto falta? Do cinzeiro ao lado do computador para acompanhar meus estudos e do maço de cigarros pra me auxiliar a produzir. Sem dúvida alguma essa é a minha maior dificuldade em lidar com a abstinência! E isso só faz piorar o meu estado depressivo, começo a me torturar porque não consigo mais me concentrar e perceber o quanto sou dependente de uma droga é desesperador!
Na verdade, já não sei mais se estou depressiva porque meus neurônios não mais se conectam, ou por causa do próprio efeito da abstinência.  

Queria poder tirar férias pelo ao menos no 1º mês de abstinência, não queria ver ninguém, não queria ter que sair de casa. Mas, infelizmente, não posso. Agora mesmo, tenho que ir à uma reunião com minha orientadora, que me incumbiu de apresentar um trabalho para ela hoje. Só que não consegui terminar esta apresentação, meus receptores nicotínicos estão sedentos e não me permitem focar, estou altamente dispersa! 

O pior (se é que ainda existe algo a mais pra piorar) é ter que esperar compreensão das pessoas por estar nessa situação. Quem nunca fumou é incapaz de entender o que são esses sintomas da abstinência e muitos acham que é frescura. Até mesmo quem já fumou e conseguiu parar, muitas vezes não entendem, esquecem o que passaram. 

Mas... vamos lá... fé e força! Porque foco eu não tenho mais...


6 de mai. de 2014

Por que optei por não usar reposição de nicotina?

Resolvi escrever este post porque muita gente tem me aconselhado a usar o adesivo ou a pastilha de nicotina. Vou explicar para vocês porque eu decidi não usar mais este recurso...

Esta não é bem a minha 2ª tentativa de parar de fumar, como eu relatei aqui no blog (veja link). Na verdade, é a 2ª vez que tento parar desde que comecei a escrever aqui, ou seja, desde que decidi parar pra valer.
Ano passado eu tive infecção na garganta 4 vezes entre os meses de agosto e dezembro. Neste período, praticamente todo mês eu tinha que tomar uma caixa de antibiótico. Até que, na última infecção, tomei um antibiótico para infecções graves. O fato é que o cigarro estava destruindo todas as minhas defesas, meu sistema imune estava totalmente debilitado. 
Eu não fumava durante todas essas 4 infecções, é claro! Quem é doido de fumar com a garganta fechada cheia de pus e com febre? Mal conseguia engolir água...
Só que todas as vezes, jurava que não tocaria mais no cigarro. E, assim que eu melhorava, passava no máximo 5 dias sem fumar e voltava a colocar de novo o cigarro no "bico". 
Rapidamente eu esquecia a semana que passei na cama por causa dele, sem falar no dinheiro com médicos e remédios que eu gastava. Quem lembra disso na hora que está na fissura?

Em todas essas vezes que tentei parar de fumar eu usei o adesivo de nicotina, aquele da fase 1. E em todas, quando voltei a fumar, voltei fumando mais que antes. Eu fumava uns 15 cigarros por dia antes dessas crises e cheguei a fumar uma carteira depois dessas tentativas.

Por isso que, quando decidi parar de fumar "de verdade", sem ser pressionada por um estado de doença, decidi que não faria mais reposição de nicotina. Foi quando comecei a escrever no blog pra aliviar a tensão e, desde então, resolvi parar "na tora". 
E, sinceramente, acho que é um sofrimento dobrado parar de fumar usando a nicotina, pois você sofre na hora que pára de fumar e na hora que pára de usar a nicotina. Sem condições, não tenho estrutura pra isso!

Entretanto, na minha 1ª tentativa relatada aqui no blog, no 16º dia sem cigarro eu resolvi colocar o adesivo (tenho uma caixa guardada aqui em casa, que sobrou das vezes que tentei ano passado). Isso porque o 15º dia foi o pior de todos (se quiser saber como foi, clique aqui).
Só que não deu muito certo usar esse adesivo depois de tanto tempo sem fumar, fiquei muito mal, muito enjoada e com dor de cabeça, resolvi tirar o adesivo, tomar um medicamento para enjoo e, mesmo assim, perdi o resto do meu dia. Por essas e outras que decidi não usar mais.

É isso, a nicotina causa vários efeitos fisiológicos desagradáveis, não sentimos quando fumamos porque vamos nos acostumando aos poucos com ela, vamos adquirindo tolerância. Além disso, a nicotina inalada na fumaça vai rapidamente para o cérebro, já com o adesivo ou a pastilha isso não acontece e os seus efeitos nos outros órgãos sobressaem mais. 

Enfim, hoje estou entrando no meu 11º dia sem cigarro e a abstinência está cada vez pior... em breve conto o que estou passando nos últimos dias... 

5 de mai. de 2014

Sonhar fumando

Gente, quem já sonhou fumando? Nas duas últimas noites sonhei fumando um cigarro e soltando aquela fumacinha deliciosa... ô que saudade! 


Os dias estão passando e a abstinência está piorando, estou cada dia mais alucinada. No meu 8º dia sem cigarro achei que poderia tomar uma cervejinha de leve enquanto fazia o jantar de sábado à noite (antes quando eu ia cozinhar eu fumava um atrás do outro), tomei apenas duas long necks e foi o suficiente para dar aquela fissura pela nicotina. Foi aí que eu percebi que ainda não estou preparada para ingerir álcool neste período de abstinência. Ainda bem que eu não estava no bar, em casa fica mais fácil controlar a vontade, já que não tem ninguém fumando do meu lado e nem tenho cigarro. Foi difícil, posso dizer angustiante, mas passou! 

Está cada vez mais difícil lidar com os efeitos da abstinência. Nestes dois últimos dias (8º e 9º dias sem fumar) o que tem mais me incomodado é a sonolência, que sono é esse hein? Pior que estou evitando a cafeína, aí está mais difícil ainda controlá-lo. Sem falar na tontura, desde o primeiro dia sem cigarro que sinto, principalmente nos horários que mais gostava de fumar, pela manhã quando acordo e quando estou escrevendo. De vez em quando a fissura bate com tanta força que sinto um aperto no peito parecendo que vai me sufocar. E a concentração? É muito difícil manter o foco de leitura e o pensamento constante. Não está fácil, não mesmo. 

É por isso que estou sonhando com o cigarro nos últimos dias e, sinceramente, não acho ruim... pelo ao menos no sonho mato minha vontade de inspirar e expirar uma fumacinha, pelo ao menos no mundo dos sonhos sacio meu desejo pela nicotina. Contanto que ela não saia de lá!

3 de mai. de 2014

Nicotina: a molécula do prazer

Apesar de estar lutando para me livrar da dependência da nicotina, sou apaixonada pela química das drogas e, por isso, resolvi escrever um post exclusivamente para ela. Meu intuito é satisfazer a curiosidade de pessoas que estejam passando por este momento de abstinência e que queiram obter informações sobre esta substância tão prazerosa, que nos torna tão dependentes.

A nicotina é uma substância encontrada em folhas de plantas do gênero Nicotiana, sendo que as duas espécies mais conhecidas na América do Sul são: a Nicotiana tabacum e a Nicotiana rustica. As folhas secas destas plantas são utilizadas para produzir o tabaco. A nicotina é uma substância química do grupo dos alcaloides, que são compostos caracterizados pela presença do átomo de nitrogênio, como pode ser observado na figura abaixo:


        



Molécula de nicotina




Antigamente, o tabaco era utilizado como inseticida nas lavouras e logo foi popularizado o seu uso como fumo em cachimbos, ou mesmo mascados e até sob a forma de chás. Porém, ninguém tinha ideia dos males causados pelo seu uso.
Hoje, sabemos que o cigarro de tabaco contém milhares de substâncias nocivas além da nicotina, mas é ela a causadora do prazer e da dependência química. Mas, o que a danada da nicotina faz?

Quando tragamos o cigarro, a nicotina é rapidamente absorvida pelos alvéolos pulmonares, atingindo o cérebro em cerca de 10 segundos. Lá elas encontram seus receptores, que são moléculas proteicas com alta afinidade para a nicotina, estes receptores são conhecidos como nicotínicos. Todos nós possuímos estes receptores e é por isso que, uma vez em contato com a nicotina, todos nós podemos sentir o prazer provocado por ela, mas nem todos nós seremos dependentes, pois existem alguns componentes genéticos que influenciam neste quesito (assunto para outro post).

Mas... e como a nicotina provoca a sensação de prazer? No sistema nervoso central, a nicotina ao ativar seus receptores nicotínicos provoca a liberação de hormônios responsáveis pelo prazer, como a dopamina e a serotonina. Porém, não existem receptores nicotínicos apenas no cérebro, temos estes receptores em diversas partes do corpo, como em músculos, glândulas e nervos, por isso que a nicotina causa diversos efeitos fisiológicos, além do prazer. Abordarei sobre estes efeitos em outro momento.

Como dou aula de fisiologia e farmacologia, tive o maior cuidado para não escrever de forma técnica, espero ter sido didática :)

Plantação de Nicotiana tabacum

Folhas secas da Nicotiana tabacum usadas para fabricar o cigarro de tabaco

7º dia sem cigarro

Como nem tudo são flores, meu 7º dia sem cigarro não foi dos melhores...

Tudo começou quando fui fazer um exame de sangue pela manhã, sou igual uma criança quando preciso tirar sangue, fico muito tensa. Quando acabou a tortura da agulha, sentei numa sala pra fazer o desjejum, onde tinha uma máquina de cappuccino maravilhosa e não resisti, tomei minha primeira dose de cafeína após 6 dias sem fumar. Saí do laboratório alucinada por um cigarrinho e logo de primeira me deparo com uma mulher soltando aquela fumacinha maravilhosa, ô que saudade! Corri pra casa... decidida a continuar sem ingerir cafeína por um bom tempo.

E as provações do dia não pararam por aí... tive uma reunião com minha orientadora do doutorado e soube de novidades que agitaram meu dia. Quem acompanha meu blog sabe que minha maior dificuldade é aguentar a abstinência da falta de concentração e que foi ela que me fez fraquejar na primeira tentativa. Pois então, pensei que tão cedo precisaria da tal concentração, já que já havia terminado a escrita dos meus artigos. Mas, vem bomba por aí... terei que fazer uma apresentação oral num congresso muito em breve e tenho apenas 5 dias para preparar esta apresentação e estar "afiada" para ensaiar com minha "chefa". Agora sim posso dizer que as provações da falta da nicotina estão começando. O maior prazer que tinha com o cigarro era no momento do estudo, o cigarrinho para pensar era o melhor de todos para mim. E agora, o que será de mim? É esperar para ver...

Por fim, para finalizar este dia, estava esperando uma notícia que envolve minha vida pessoal, a qual estava muito ansiosa à espera. Não foi a resposta que eu queria, infelizmente não foi dessa vez :(
Fiquei triste por um bom tempo e a primeira coisa que me veio na cabeça foi ir para o bar tomar todas, como sempre fiz quando algo não dá certo em minha vida. Mas consegui resistir, pois sabia que a primeira coisa que faria seria fumar um maço de cigarros para acompanhar a cerveja. Ao invés de ir ao bar, fui à academia fazer meu pilates, voltei pra casa calminha calminha, como o pilates faz bem! Indico à todos que estão no mesmo barco que eu, pois, além de ser uma atividade física maravilhosa, ainda nos ensina a respirar corretamente e sentir novamente o ar que entra e sai do nosso pulmão. É maravilhoso, gente!

É isso, estou firme, forte e feliz por mais um dia sem cigarro!


2 de mai. de 2014

5º dia sem cigarro

Esses dois últimos dias foram bem mais tranquilos do que eu imaginava. Estou tão feliz que parei de fumar e a consequência disso é que as crises de abstinência estão diminuindo. Creio que a força do pensamento seja um fator importante neste momento e, por isso, lembro sempre dos motivos que me fizeram parar de fumar e os benefícios disto em minha vida. Além disso, a atividade física está sendo fundamental para diminuir as crises, o yoga e o pilates estão me ajudado bastante a diminuir a ansiedade.

Aquela dor de cabeça insuportável que senti nos 3 primeiros dias parou, sinto apenas uma dor leve de vez em quando, que pode ser também devido à TPM, estou perto de menstruar e costumo sentir dor de cabeça nas vésperas. Outra causa desta dor de cabeça pode ser abstinência da cafeína matinal diária, pois todos os dias pela manhã eu costumava tomar 2 a 3 xícaras de café forte, mas depois que parei de fumar estou evitando a cafeína, para evitar os tais momentos de fissura comuns da abstinência.

Nestes últimos dois dias tenho sentido um leve enjoo matinal, mas que logo passa. Este enjoo pode também ser atribuído à TPM, entretanto, não posso descartar a possibilidade de ser causado pela ausência da nicotina, já que é um sintoma comum. 

Fora esses dois sintomas, não tenho sentido mais nada, até a prisão de ventre melhorou :)
É claro que eu dei uma ajudinha com uma alimentação rica em fibras para melhorar o funcionamento do intestino. Não adianta parar de fumar e não mudar os hábitos alimentares, além de inserir algum tipo de atividade física no dia-a-dia. Nosso corpo está acostumado a receber uma substância química (nicotina) a todo momento, a qual tem a capacidade de alterar o funcionamento normal do nosso corpo, portanto, é normal que com a ausência dela cause alterações fisiológicas.

E, por fim, estou muito feliz porque desta vez não estou sentindo nenhuma irritabilidade, nem estou acreditando. Para mim este era o pior sintoma da abstinência. Acho que é porque desta vez estou super decidida a parar de fumar e estou muito feliz por estar conseguindo.


29 de abr. de 2014

3º dia sem cigarro

Pensei que fosse mais fácil ultrapassar a barreira do 3º dia sem cigarro, onde o pico de abstinência da nicotina ocorre. Mas não está sendo! 

Estou sentindo uma dor insuportável e um peso enorme no lado de trás da cabeça, que só melhoram quando fico deitada. Mesmo assim resolvi ir para o yoga, já que atividade física é essencial nesta fase. Porém, esta atividade piorou muito minha dor de cabeça, tive que voltar pra casa antes de terminar a aula. Essa dor de cabeça é um dos sintomas da abstinência da nicotina, não a senti na primeira tentativa de parar de fumar. 

Além disso, estou sentindo muita tontura, que é justificada pela melhora da oxigenação do cérebro devido a ausência de monóxido de carbono. Que coisa boa! Meu corpo está reaprendendo a viver sem o cigarro e o oxigênio está alcançando o meu cérebro, isso me deixa muito feliz :)

E por último, mas não em menor importância, estou com uma terrível constipação intestinal por causa da ausência da nicotina, e isso é muito incômodo, pois não estou acostumada com prisão de ventre. Acho que 99% dos fumantes usam o cigarro ao usar o banheiro, já que o mesmo causa um relaxamento neste momento. Depois da terrível dor de cabeça, esse é o efeito da abstinência que está mais me incomodando.

No mais, não estou irritada como na primeira tentativa e a concentração está baixa, mas a sorte é que esses dias não tenho necessitado muito dela. 

Sinto que é dessa vez! Apesar dos efeitos da abstinência, não tenho vontade de fumar, quero muito largar esse vício e desta vez é para valer, vou conseguir!!!