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28 de jul. de 2014

Como parei de fumar - convite aos leitores

Olá pessoal, estou aqui para convidá-los a relatarem um pouco da história de vocês com o cigarro.

Se alguém tiver interesse em escrever um post aqui no blog, relatando suas experiências com o cigarro, quando começou a fumar, há quanto tempo parou, as dificuldades que têm vivido, ou qualquer outra coisa relacionado ao tema, é só deixar seu e-mail aqui nos comentários que entro em contato logo em seguida.

Gostaria de interagir mais com os leitores do blog e trocar experiências.

Comecei a escrever no blog, dentre outros motivos, para desabafar minhas percepções e sensações desde que decidi parar de fumar, mas também sinto vontade de ler histórias e relatos de ex-fumantes e pessoas que estão na mesma situação que eu, por isso, resolvi criar esse espaço para vocês!


26 de jul. de 2014

Como parei de fumar - apoio medicamentoso

39 dias sem fumar!


Depois de muitas tentativas de parar de fumar, depois de muito fracassar... estou aqui, conseguindo ficar sem ele, sem meu maior companheiro! Sim, estou conseguindo viver sem o cigarro! Mas... como eu consegui chegar até aqui?

Eu sempre tentava parar de fumar "na tora", sem ajuda de nenhum medicamento, apenas com auxílio terapêutico, força e muita vontade. Após várias tentativas frustadas, percebi que não conseguiria sem uma ajuda a mais. Foi então que decidi usar os adesivos de nicotina e comecei pelo de fase 1 (para quem fumava mais de 10 cigarros por dia), usei por uma semana (uma caixa de adesivos vem com 7 unidades e dura exatamente este período). A bula diz que você deve utilizar esta fase do adesivo por 6 semanas, mas eu optei por não seguir a bula, senti segurança para seguir para a fase seguinte.

Então, comprei o de fase 2 e usei por mais uma semana. Nesta fase, o tamanho do adesivo é menor e contém uma menor quantidade de nicotina, para que nosso organismo vá se acostumando e adaptando a ficar sem aquela quantidade de nicotina diária. Neste momento os sintomas da abstinência já são mais notórios, principalmente aquela irritação gratuita.

Depois disso, usei o de fase 3 por mais uns quatro dias. Usei apenas por esse período porque esses adesivos dessa fase eu ganhei de uma colega blogueira que me enviou lá do Rio de Janeiro, umas sobras de quando ela ainda usava. Como o adesivo da fase 3 é muito, mas muito pequeno, quase não tem mais nicotina... fiquei com pena de comprar mais e resolvi parar de usar depois que acabou.

Como nessa encomenda dos adesivos também vieram umas pastilhas de nicotina, resolvi seguir minha luta me virando com essas pastilhas mesmo. Foram 12 pastilhas no total, depois que acabaram não comprei mais. Tenho uns cinco dias sem usá-las! Usei por alguns dias depois que parei com os adesivos, porém, não ultrapassava o número de uma pastilha ao dia, sendo que tinham dias que não usava. Quando acabaram, resolvi não comprar mais, apesar da vontade, pois fico com receio de estar enganando a mim mesma, sabe? Enquanto ainda usava esses paliativos, sentia que ainda não tinha me livrado do vício. 

Sei que dependente da nicotina serei para sempre, mas saber que estou livre desta droga é importante para me sentir forte e ter mais ainda vontade de lutar e vencer essa luta!


SÓ POR HOJE...


15 de mai. de 2014

Depressão e tabaco


Este post é em homenagem à uma queridíssima blogueira, que está passando por momentos de dificuldades depois que parou de fumar. E, o pior de tudo, é que as pessoas próximas à ela não a entendem. Por isso, na tentativa de ajudá-la a convencer estas pessoas de que seu estado é real, vou falar um pouco sobre a depressão e sua relação com o tabaco, incluindo a relação entre os efeitos fisiológicos da abstinência da nicotina e a determinação do quadro depressivo.

Antes disso, vou fazer uma breve descrição da minha formação acadêmica, apenas no intuito de dar credibilidade ao que vou escrever, já que muitos julgam os ex-fumantes como loucos e dramáticos.
Sou farmacêutica graduada há quase 5 anos, concluí meu mestrado há dois anos na área de produtos naturais com ênfase em farmacologia, estou no último ano do doutorado em ciências da saúde e já dei aula de fisiologia e farmacologia. Todos estes anos de estudo e pesquisa me dão base suficiente para falar com propriedade sobre a fisiologia da nicotina e os seus efeitos no sistema nervoso central. 
Vou tentar ser didática e escrever de forma bem simples para que todos consigam compreender. No final do post, colocarei algumas referências de artigos científicos para caso alguém queira aprofundar a leitura sobre o assunto.

A capacidade que nós temos de sentir emoções é devido à produção de neurotransmissores em nosso cérebro, tais como dopamina, serotonina e noradrenalina. São estes hormônios os responsáveis pelas nossas sensações e eles estão relacionados com o controle de diversos sintomas emocionais, que podem ser observados na  figura abaixo:


A depressão é uma doença caracterizada pela redução dos níveis cerebrais destes neurotransmissores. Portanto, a ausência de noradrenalina diminuirá a energia e o interesse; a ausência de serotonina irá diminuir a capacidade de controlar o impulso; a ausência de noradrenalina e serotonina irá reduzir a capacidade do indivíduo em controlar a ansiedade e a irritabilidade; a deficiência em dopamina irá diminuir a iniciativa em realizar tarefas corriqueiras; e, por fim, a ausência dos três irá reduzir o humor, a capacidade de controlar as emoções e a função cognitiva (capacidade de memória, atenção e raciocínio).  

Um dos efeitos da nicotina é aumentar a liberação destes hormônios no sistema nervoso central. A nicotina se liga em receptores específicos no cérebro, denominados receptores nicotínicos. Estes receptores, quando ativados, provocam a liberação destes neurotransmissores, melhorando todos estes estados emocionais.

Ao parar de fumar, o indivíduo deixa de produzir noradrenalina, serotonina e dopamina na mesma quantidade de antes, perdendo a capacidade de controlar todas essas emoções, por isso que a abstinência da nicotina provoca um estado depressivo, além de irritabilidade, falta de concentração, dentre outros sintomas.

Com o tempo, a produção destas substâncias se regulariza, porém, em algumas pessoas isso não acontece (ou demora mais para acontecer) porque estão mais propensas ao estado depressivo, devido a fatores variáveis que estão sendo estudados pelos cientistas. Pode estar relacionado a:

  1. Tempo de uso da nicotina
  2. Quantidade de cigarros fumados diariamente
  3. Quando foi iniciado o tabagismo (pessoas que começaram a fumar por volta dos 15 anos estão mais propensas)
  4. Fatores genéticos

Portanto, o tabagismo hoje é considerado uma doença crônica e não uma frescura. Atualmente, é considerado um problema de saúde pública! E já existem milhares de estudos com o intuito de descobrir medicamentos que auxiliem no tratamento para pessoas deixarem de fumar e alguns deles já estão disponíveis no mercado. Dentre estes medicamentos, alguns são da classe dos antidepressivos, depois escreverei um post sobre eles. 

Alguns fumantes conseguem parar sem usar medicamentos, mas outros precisam deles. Eu mesma me recuso a utilizá-los, pois antidepressivo é uma droga que provoca dependência tal como a nicotina e que tem vários efeitos colaterais indesejáveis. Por isso, prefiro tentar parar de fumar sem procurar ajuda médica. Caso eu não consiga, admitirei minha fraqueza e procurarei auxílio medicamentoso. 

O que deve ficar claro é que cada pessoa tem suas particulares, o importante é fazer uma relação "risco x benefício" e analisar suas necessidades. Se você está percebendo que não consegue parar sem um adjuvante e sua saúde está prejudicada por causa do tabaco, o ideal é procurar um médico, de preferência especialista em tabagismo.

O que não pode é ficar se martirizando e se culpando por não conseguir. Não se compare à outras pessoas que conseguiram parar de fumar sem utilizar nada. Lembre-se sempre que cada indivíduo tem a sua história e suas particularidades. 


- Listei algumas referências para quem se interessar e quiser aprofundar a leitura sobre o assunto. Como não sei anexar os arquivos aqui no blog, vou colocar os links para vocês encontrarem na internet.
Infelizmente, alguns são artigos científicos que são pagos e só dá pra baixar gratuitamente pela universidade. Mas caso alguém se interesse, é só me pedir que envio por e-mail.
  1. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22558621
  2. http://www.scielo.br/pdf/jbpneu/v34n10/v34n10a14.pdf
  3. http://link.springer.com/article/10.1080%2F10298420290023963
  4. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0278584614000311


28 de abr. de 2014

1º dia sem cigarro - 2ª tentativa

Estou de volta! E dessa vez é para valer!!!
Mais do que nunca estou decidida a não colocar mais nenhum cigarro em minha boca e dessa vez será definitivo.

Como na 1ª tentativa, escolhi uma data para esse intento, pois essa história de parar aos poucos (diminuindo a quantidade de cigarros durante o dia) para mim não dá certo, sou muito compulsiva e comigo isso não funciona. Então, escolhi uma data e um horário para fumar meu último cigarro: dia 26/04/2014, às 18hs, fumei meu último cigarro.

Escolhi esta data porque estava voltando de uma viagem maravilhosa que fiz e acredito que o ideal é escolher um momento em que a vida não esteja atribulada e que os níveis de estresse estejam mínimos. É claro que momentos estressantes sempre existirão, mas é melhor que os primeiros dias sem cigarro, que são os piores, não sejam em momentos muito estressantes.

Na verdade, ia parar no início da viagem. Mas na cidade que eu fui as pessoas fumavam muito, nunca vi tanta gente fumar como em Buenos Aires. Então, ficou muito difícil parar quando eu estava lá. Inclusive, indico aos que desejam parar de fumar que peçam ajuda aos familiares e/ou amigos que também fumam, pois fica muito complicado parar de fumar e ficar vendo fumantes ao redor bem como sentindo o cheiro de cigarro.
Durante a semana que estava lá, tentei reduzir o número de cigarros durante o dia, mas à noite era mais difícil, pois não resistia aos maravilhosos vinhos argentinos e, como todo fumante sabe, o álcool aumenta a vontade de fumar. Por isso, agora vou dar um tempo no álcool e no café preto do dia-a-dia. É essencial maneirar no consumo desses estimulantes pelo ao menos neste momento inicial, durante o primeiro mês.

Meu primeiro dia sem cigarro nesta 2ª tentativa foi bem mais tranquilo que na 1ª, não sei exatamente o motivo, já que na 1ª tentativa eu também estava numa viagem maravilhosa. Mas, o que posso dizer é que cheguei ontem de viagem e passei meu primeiro dia sem cigarro tranquilamente, sem irritabilidade e episódios depressivos, apenas com aquela constipação intestinal comum de quando paramos de fumar, devido a ausência da nicotina (que é estimulante do sistema nervoso parassimpático... pretendo fazer um post futuramente sobre os efeitos fisiológicos da nicotina para que possam entender melhor seus efeitos no nosso organismo e, consequentemente, os efeitos de sua abstinência).

Não posso deixar de levar em consideração que passei o 1º dia sem cigarro em casa e sem problemas externos relacionados ao trabalho. Talvez isso tenha ajudado em o dia não ter sido tão irritante. De qualquer forma, dessa vez vou me manter firme, não deixarei que pessoas ou momentos estressantes me façam acender um cigarro. Mais que nunca quero parar com esse vício maldito, e estou terminando o 2º dia sem cigarro firme e forte.

Escreverei aqui diariamente e partilharei das minhas experiências com vocês! Boa sorte para mim e para todos que estejam neste mesmo barco. Contem suas histórias também, isso ajudará a me manter forte neste momento, bem como ajudará outras pessoas que também acompanham este blog.


Rio de la plata (Argentina)- leve consigo meu último cigarro!