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18 de ago. de 2014

Pastilhas mastigáveis de nicotina

62 dias sem fumar

Essas foram as gomas de mascar que encontrei na farmácia:


Vim aqui contar para vocês como foi a minha experiência com elas!

Vamos por partes...
Cheguei na farmácia e pedi uma cartela de pastilhas de nicotina, igual a que usei no primeiro mês (veja aqui), pois não queria comprar muitas pastilhas para não me habituar a usar nicotina terapêutica todos os dias. Porém, não encontrei as pastilhas em nenhuma das três farmácias próximas à minha casa. Só encontrei essa caixa de chicletes com 30 unidades e o jeito foi levá-la mesmo! Estou decidida a usar apenas um chiclete por dia e quando realmente a abstinência estiver violenta.

A bula contém todas as instruções de uso... mastigar o chiclete e depois repousá-lo dentro da boca, para que a nicotina seja absorvida pela mucosa bucal. Fiz exatamente como indicado e, após 25 minutos, senti muito enjôo, muito mesmo. Corri para minha caixa de medicamentos e tomei um pasil (antiemético usado para aliviar náuseas). Após um período de aproximadamente uma hora melhorei. Ufa, que sufoco! 

Depois disso a primeira coisa que pensei foi no péssimo investimento que havia feito, pois essa caixa custou 47 reais e ainda tinham mais 29 chicletes, o que iria fazer com eles?
Por outro lado, pensei que no final das contas a vontade de fumar havia passado, já que passei o resto do dia meio enjoada e não passava pela minha cabeça fumar (será que se eu fumasse um cigarro eu também sentiria essa náusea? Creio que sim, pois meu corpo já estava limpo de nicotina).

Foi então que pensei numa tática para usar os chicletes até a caixa terminar!
Resolvi tomar um plasil meia hora antes de usar os chicletes, assim evitaria o sintoma do enjoo.
E funcionou? Mais ou menos... senti menos náusea, mas senti! De qualquer maneira, consegui suprir momentaneamente o desejo por fumar.

Ah, se vocês observarem as informações na caixa desse medicamento, esses chicletes prometem ajudar no clareamento dos dentes, não é tentador? Vamos ver...

Em breve, conto mais impressões que eu tive dessas pastilhas mastigáveis!!!


SÓ POR HOJE...



27 de jul. de 2014

Como parei de fumar - apoio físico

40 dias sem fumar

Mais um dia vencido, mais um dia por vir...

Parar de fumar é um exercício diário, é se observar e se controlar todos os dias. Todo dia um ex-fumante tem vontade de fumar. Dizem que depois do primeiro mês, a vontade diminui, mas comigo não foi assim, a vontade de fumar não passa de jeito nenhum, apenas diminui a frequência. 

É alucinante a tal da fissura; uma vontade forte que vem lá do seu íntimo, difícil e possível de controlar. Às vezes ela me pega de surpresa... 
Por exemplo, hoje acordei com tanta vontade de fumar um cigarro que fiquei tonta quando levantei. Quando isso acontece, para evitar recaídas, eu não tomo meu cafezinho. Na verdade, parei de tomar café e outros produtos com cafeína durante todo o primeiro mês sem fumar. Só agora nos últimos dias que eu ousei tomar um café com leite pela manhã.

Para me manter firme longe do cigarro, além de controlar o consumo de cafeína, eu diminuí a ingestão do álcool. Sinto que essas atitudes me ajudaram a evitar a associação do cigarro com a cafeína e o álcool, já que minha mente já está formatada para sentir o cheiro do café e da cevada, e atiçar os receptores de nicotina sedentos e viciados.

Outro apoio que busquei para diminuir o desejo do meu organismo por nicotina foram as atividades físicas: ioga e pilates. Gente, vale muito a pena dedicar uma hora por dia do seu tempo praticando algo que faça bem para seu corpo físico. E, particularmente, para quem gosta de "unir o útil ao agradável", essas duas atividades que escolhi são perfeitas para quem também quer exercitar a mente, e ainda reaprende a respirar.
Lembrando que alguns hormônios do prazer estão mais ofertados durante a prática do exercício físico e isso ajuda a diminuir a depressão da abstinência.

É isso, não dá para mudar um hábito enraizado por anos sem querer mudar seu estilo de vida. É muito complicado! Parar de fumar envolve evitar tudo que lembra o cigarro e que pode "ativar" a fissura, pelo ao menos no primeiro mês. E, também, é extremamente importante a prática de atividade física, seja ela qual for.

E vocês, o que têm feito para lidar com a abstinência?


SÓ POR HOJE...



25 de jul. de 2014

E a luta continua...

 38 dias sem fumar!

E quem disse que não sinto mais vontade de fumar?


Todos os dias tenho episódios de fissura pelo cigarro, não está fácil... 
As pastilhas de nicotina acabaram há uns dias e não quis mais comprar... 

Fui novamente ao dentista e tive notícias terríveis, tenho até vergonha de comentar... ah, como me arrependo de ter fumado! Olho meus dentes no espelho e vejo a burrice que fiz. Acho até que é isso que tem me mantido longe do cigarro... a preocupação com meus dentes, medo de perdê-los!

Vontade de fumar eu sinto todos os dias, sinceramente!

Mas estou tão bem sem ele (talvez nem tanto assim)... firme em meu objetivo e tentando me manter longe dele todos os dias... 


SÓ POR HOJE...



20 de jul. de 2014

32 dias sem fumar

Mais de um mês sem fumar...


Estou tão feliz! :)
Nem acredito que estou conseguindo...

Demorei, mas voltei! Quase um mês sem escrever no blog... provavelmente, vocês pensaram que eu sumi porque fracassei e voltei a fumar, não é mesmo? Porém isso não aconteceu... dessa vez estou firme e forte rumo ao  meu objetivo! Eu sumi porque realmente estou sem tempo para escrever, sempre tenho ideias para postagens, só que preciso de tempo. Estou tentando me organizar para dar mais atenção ao blog, afinal de contas, quero ajudar pessoas que queiram parar de fumar e que tenham as mesmas dificuldades que eu tive e ainda tenho. 

Confesso que ainda sinto muita vontade de fumar, tenho episódios fortíssimos de fissura (desejo intenso de fumar) que cada dia que passa são menores, mas que, quando surgem, são muito intensos. E o que tenho feito para controlar isso? Bem, primeiro eu bebo água, respiro fundo e começo a exercitar mentalmente os motivos que me fizeram decidir parar de fumar, lembro de tudo que passei para chegar até aqui e de todas as coisas que me incomodavam quando fumava, pois eu já não sentia mais tanto prazer fumando, quando acendia um cigarro me sentia mal, uma fracassada!

Quando a vontade é muito forte ao ponto de nada disso adiantar, eu uso uma pastilha de nicotina. Até hoje não usei mais de uma pastilha por dia e tem dia que nem uso. Às vezes passo até três dias sem usar a pastilha, enquanto que tem vezes que as uso por três dias consecutivos, mas nunca uso mais de uma pastilha por dia. Não quero me acostumar a usá-las, quero muito me livrar da nicotina e estou fazendo isso aos poucos, acho que estou indo bem. Usei os adesivos apenas nas primeiras três semanas e pronto! Venho me virando com as pastilhas...

É claro que não dá para "aguentar o tranco" só com as pastilhas... Continuo praticando ioga e pilates, bem como estimulando bons pensamentos diários, com o intuito de atrair boas energias a fim de evitar o estresse. Parar de fumar envolve mudança no estilo de vida, que não inclui apenas a prática do exercício físico, mas também o exercício mental. Por isso, tenho cuidado muito da minha mente e do meu corpo.

Além disso, estou evitando tudo que me lembre o cigarro... Há mais de um mês que não tomo meu café que tanto adoro. Passei todos os jogos da copa do mundo em casa, para evitar beber cerveja e estar entre pessoas que fumem. Depois de três semanas sem fumar, senti segurança para tomar umas duas cervejas antes de almoçar, a vontade bateu, mas aguentei firme! Por isso, sempre que posso evito ingerir álcool, é sempre bom evitar tentações...

É isso, estou sobrevivendo... 
Não está fácil, mas sou forte e vou conseguir!!!


Só por hoje...

Até breve!!!


26 de jun. de 2014

Como é chato ir ao dentista!

9 dias sem fumar

Hã, estou há 9 dias sem fumar, nem estou acreditando!


Comecei a usar o adesivo de nicotina fase 2, usei o fase 1 nos 8 primeiros dias e parei de usá-lo por conta própria. Resolvi acelerar o processo, pois estou me sentindo bem, decidida e forte para me manter longe do cigarro sem o adesivo. Por isso, decidi pular logo para a fase 2, cuja quantidade de nicotina é menor.
Até agora não notei diferença, os efeitos da abstinência continuam sendo mínimos ... me sinto bem! E assim, vou vivendo...

Hoje fiz uma coisa muita chata... fui ao dentista! Toda vez que vou tenho vergonha de abrir a boca, pois é sempre o mesmo falatório sobre meus dentes e aquele sermão para deixar de fumar. Dessa vez a diferença é que pude dizer que parei de fumar, toda orgulhosa! E voltei pra casa feliz... pelas manchas de cigarros removidas dos meus dentes :)

Sei que tenho aparecido pouco no blog e o motivo disso é que estou meio de saco cheio de falar sobre cigarro, estou tão bem vivendo sem ele, que nem tenho mais vontade de falar disso. Na verdade, eu queria mesmo era esquecer que um dia fumei...
Por isso que estou sumida daqui. Eu fico esperando a vontade de falar no cigarro aparecer e quando ela chega, venho aqui dar notícias pra vocês.

Mas, o pior está por vir... os tais 15 dias iniciais ainda não passaram, eles são minha "prova de fogo"... 
Todas as vezes que fracassei foram lá pelo 16º dia... Só depois que eu passar por este dia, saberei se realmente estou forte!

Só por hoje...


22 de jun. de 2014

5 dias sem fumar - adesivo de nicotina

Sim, resolvi não esperar mais para dar um basta... estou sem fumar há 5 dias!!!


Dessa vez está diferente das tentativas frustradas anteriores. Estou usando o adesivo de nicotina (fase 1 - para quem fuma mais de 10 cigarros por dia), isso diminuiu muito a crise de abstinência dos primeiros dias. Não senti dor de cabeça nem aquela irritabilidade das outras vezes e isso foi fantástico!

De fato, a maneira correta de utilizar o adesivo de nicotina é logo depois de fumar o último cigarro, pra evitar que a vontade de fumar apareça. Eu coloquei o adesivo na manhã do dia 18/06, mas fumei meu último cigarro às 17h do dia anterior. Não queria colocar o adesivo logo depois que fumei, sabia que ia dormir cedo e ainda estava bem nesse dia, estava tranquila, aguentando firme a vontade de fumar, não precisava do adesivo.

Quando acordei no outro dia, a vontade apareceu bonita e logo coloquei o adesivo para aliviar. Não tomei meu café matinal para não instigar o desejo pelo cigarro, ao invés disso tomei um chá e tenho feito isso todas as manhãs. Sinto falta da cafeína, mas ela me lembra muito o cigarro, terei que evitá-la por um tempo!

Ah, ficar sem fumar está bem mais fácil com o auxílio da nicotina terapêutica, mas os velhos hábitos adquiridos com o cigarro ainda são difíceis de vencer. Um exemplo disto é o movimento com as mãos quando está lendo ou assistindo tv. Agora tenho que encontrar algo para que minhas mãos agitadas fiquem ocupadas nesses momentos. 
Normalmente, ocupo-as com comida! Tento não sair da minha alimentação saudável, mas acontece de cometer alguns exageros. Por isso, estou preparando um kit comida saudável para ajudar a substituir o cigarro nos momentos em que faz falta, depois eu mostro aqui no blog.

Essa noite sonhei que estava fumando e acordei com muita vontade, corri pra colocar o adesivo. Depois fiquei pensando... acho que não será fácil me livrar desse adesivo. Mas dessa vez está decidido, vou usar os adesivos até o último dia de tratamento, dessa vez não quero fracassar e sem eles não dá!

Só por hoje...



14 de jun. de 2014

Copa do mundo x Cigarro?!!

Foi numa copa do mundo que pela primeira vez tive vontade de fumar, aos 11 anos, copa de 1994, quando o Brasil foi tetracampeão. Passei todos os jogos com vários adultos ao meu redor, fumando e bebendo muito. Desde essa época eu já tinha vontade de experimentar um cigarro. Mas não passou da vontade!

A minha primeira copa fumando foi a de 98, tinha 15 anos e fumava escondido aqueles cigarros mentolados. Como todos fumavam, ninguém sentia o cheiro, ficava fácil fumar escondido. De lá pra cá foram 4 copas como fumantes, quero que esta copa de 2014 seja minha 5ª e última copa como fumante.

Preciso me redescobrir, ou mesmo lembrar um pouco de quem eu era antes de ser fumante. Ocupar os espaços que o cigarro deixa e seguir em frente!

Como diz minha amiga Mari, do blog:
www.adeusaomundodemarlboro.blogspot.com.br
"Caiu, levanta! Fraco é quem não tenta."

E em agradecimento à minha amiga Débora, do blog:
www.cantinhoparanoico.blogspot.com.br
Ela que resgatou minha paixão por minhas unhas, com seus posts sobre unhas, eu ia em seu blog ver suas histórias e crises de abstinência da nicotina, e lá encontrava esmaltes. Relembrei o quanto amo as minhas unhas e estou tentando mantê-las bonitas e bem cuidadas.


E ainda fiz uma homenagem à Copa do Mundo!

Queria que soubessem que para mim, uma das melhores coisas de ter esse blog, é ter o apoio, o carinho e a atenção de vocês (Mari e Débora).

Vou à luta, estou com meu último maço de cigarros na mesa, aqui ao lado do pc. Depois que acabar esse, não comprarei mais, seguirei em frente, de cabeça erguida. Dessa vez com uma ajudinha da farmácia :)

Está chegando a hora, é agora!!!


2 de jun. de 2014

Uma cidade que não tem fumantes

Esta semana viajei para o tal congresso que me fez voltar a fumar na última tentativa de parar (veja aqui).

João Pessoa/PB

Tinha esquecido que ninguém fuma em João Pessoa, como é impressionante isso! É muito difícil ver um fumante na rua, nem mesmo onde fiquei hospedada havia alguém com um cigarrinho na mão. Fiquei encantada com isso, até estimulava a fumar menos (apesar da ansiedade devido a apresentação). Eu tinha vergonha de acender um cigarro na frente dos outros, sempre tinha que sair e me esconder para fumar. Por isso, fumei menos, mas ainda não consegui parar, infelizmente. Estou numa época muito agitada, mas já na fase de "preparação para a ação", ou seja, estou me preparando para deixar o cigarro, pois já me conscientizei que tenho de parar. Li sobre isso num livreto sobre cigarro que falava sobre as fases para deixar de fumar, achei interessante!

Quando estava no aeroporto, eu percebi que havia despachado minha bagagem com a revista e o livro que estava levando pra ler na viagem, então eu resolvi ir na livraria. Como eu já tinha em mente aquela história de parar de fumar logo após a apresentação no congresso, logo bati o olho no livreto sobre cigarros, de uma coleção do médico Drauzio Varela. Tem muita coisa que já mencionei aqui no blog, mas também tem informações novas... fala de testes utilizados para avaliar o nível de dependência da nicotina e sobre fumantes passivos.

Achei interessante compartilhar com vocês este livro, pois tem uma linguagem acessível a todos, além de conter informações que englobam vários assuntos relacionados ao tabagismo. É um livro bem pequeno com apenas 60 páginas, li durante as 2hs de vôo (se bem que sou um pouco suspeita, já que este tema me atrai muito e acabo lendo rapidinho). É uma leitura para qualquer pessoa que tenha curiosidade no assunto: fumantes, ex-fumantes, pessoas que estão começando a fumar (principalmente adolescentes) e até mesmo pessoas que queiram ajudar alguém próximo a parar de fumar. Veja o conteúdo do livro na foto abaixo:

Vale a pena ler! Deve ter em qualquer banca de revista e é bem baratinho...

Enfim, estou decidida a parar de fumar, mas estou me conformando que preciso de ajuda. Vou tentar parar com auxílio do adesivo da nicotina, em breve conto a vocês como e quando será!


20 de mai. de 2014

Vou parar de fumar!

Eu vou parar de fumar! Porque não tem mais graça essa história de colocar fumaça dentro dos meus pulmões e eu quero muito parar... Querer é poder e eu vou conseguir!

É como disse minha companheira blogueira Mariana em um post dedicado à mim: "nesse game só fracassa de verdade quem para de tentar" (veja clicando aqui)... e é com a sua ajuda e a de minha nova amiga Débora (veja o blog dela aqui) que eu entrarei novamente na luta.

Eu havia dito em outro post que só iria tentar novamente em dezembro (veja aqui), mas eu decidi tentar antes disso. Isso porque mesmo fumando eu não me sinto feliz, continuo depressiva só que agora o motivo não é mais a abstinência da nicotina. A cada cigarro que acendo me sinto péssima, não apenas porque sei o mal que estou causando à minha saúde, mas porque sinto que o cigarro é mais forte do que eu. Preciso provar à mim mesma que sou mais forte que este vício, preciso dar um basta nesta história de dependência!

Como todas as outras vezes que tentei parar "na tora" não deram certo, desta vez farei diferente. Vou parar fazendo o desmame, começarei reduzindo a quantidade de cigarros fumados diariamente. E então, no dia 31 de maio, dia nacional de combate ao tabaco, e dia em que apresento o tal trabalho no congresso, fumarei meu último cigarro!

Então, dia 1º de junho colocarei o adesivo de nicotina fase 3, porque desta vez não quero passar pelos sintomas cruéis de abstinência que passei nas outras vezes. Admito minha impotência e utilizarei a bendita nicotina terapêutica.

Daqui até lá vou contando pra vocês como está sendo a redução dos cigarros diários. E vamos lá, rumo ao:



13 de mai. de 2014

Último fracasso

Quem acompanha meu blog desde o início já deve ter percebido que quando eu passo alguns dias sem postar o pior aconteceu, não é mesmo? Então, dessa vez não foi diferente. Eu desisti!
Demoro de postar porque tenho vergonha de vocês, meus leitores. Tenho vergonha de ter sido fraca e tenho medo de influenciar os que estão firmes e fortes. 

Na verdade, eu desisti de parar de fumar agora, mas isso não quer dizer que não vou parar, que desisti de vez. Apenas resolvi admitir minha impotência neste momento e assumir que não estou num momento ideal para enfrentar todos esses sintomas da abstinência. 

A questão é que estou no meu último ano de doutorado e o cerco está fechando. Vou fazer uma apresentação oral num congresso daqui a 15 dias e meus "tico e teco" não estavam funcionando direito. Não foi por falta de tentativa, passei 14 dias tentando me concentrar, estudar e produzir, mas não consegui.
Estou muito atribulada com artigos para ler, experimentos para fazer, apresentações orais para preparar e, simplesmente, passei duas semanas improdutivas apenas vivendo e tentando aprender a lidar com a abstinência da nicotina. Simplesmente, cansei! Cansei de me sentir depressiva e desanimada, cansei de ficar estressada e decidi que não será agora que irei me despedir do meu "querido" cigarro.

Ah, gente! Passei a minha vida inteira fumando, logo agora que estou terminando um ciclo em minha vida, eu tenho que ficar me angustiando por causa da falta que o cigarro me faz? Sinceramente, não acho que mais alguns meses fumando irão me matar. O que não dá mais é ficar arriscando meu futuro profissional por causa dessa abstinência, pois foi quase isso que aconteceu. Não dá pra entrar em detalhes por aqui, mas estejam certos que não foi à toa que tomei esta decisão.

Entretanto, é como eu disse... não vou desistir de parar de fumar, apenas não pararei agora. Programei uma data para deixar de vez o cigarro: 16/12/2014, no dia da minha defesa do doutorado, fumarei meu último cigarro!

E, para não deixar de escrever no blog, daqui até lá abordarei alguns assuntos que considero interessantes relacionados ao cigarro. Gosto de escrever e aproveitarei os meus conhecimentos sobre fisiologia e farmacologia para falar sobre os mecanismos fisiológicos da nicotina, sobre os tratamentos disponíveis, os fatores relacionados à dependência química desta droga, os malefícios causados pelo cigarro, bem como outros assuntos relacionados à este tema.

Apesar de ser fumante há mais de 10 anos, sou amante da alimentação saudável há mais de cinco anos e gostaria de compartilhar algumas informações oriundas de pesquisas e leituras que realizo há muito tempo, sobre alimentos que auxiliam na prevenção e na redução dos prejuízos causados pelo cigarro. Sempre fui defensora de que não adianta você não fumar e se alimentar mal. Tudo que ingerimos irá interagir com nosso corpo de alguma forma e não custa nada tentar diminuir os males causados pelo tabaco.

Agradeço à todos que me acompanham...
Peço desculpas aos que decepcionei...
E continuo torcendo pelos que estão na luta. Não desistam! Cada um tem a sua história...


8 de mai. de 2014

"Só por hoje"


Nunca esse "só por hoje" foi tão eficaz desde que parei de fumar. Por muito pouco, muito mesmo, eu quase desisti de tudo e fui na padaria comprar cigarro (toda vez que paro de fumar eu passo longe da padaria que tem aqui ao lado da minha casa, pois meu cérebro já a associa ao cigarro, era lá que eu ia todas as manhãs comprar meu maço de cigarros). 

O que aconteceu foi que, definitivamente, não consigo produzir sem o cigarro, é uma coisa muito louca isso, mas meu cérebro está condicionado a associar o cigarro ao estudo. Sinto-me depressiva sem meu cinzeiro ao lado do computador e isto está cada vez pior. Às vezes, penso que terei que trocar de atividade, fazer algo que não exija muito concentração, raciocínio, articulação de ideias e criatividade. Em minha profissão tem muitas áreas que são assim, que não exigem nada disso, que o trabalho é mais técnico e mecânico. Nunca gostei desses tipo de trabalho e foi por isso que partir para a área acadêmica, mas estou me rendendo à esta possibilidade, talvez assim eu consiga ficar sem o cigarro.

Infelizmente, não posso desistir do meu doutorado, não apenas por eu ser bolsista e precisar do dinheiro pra pagar minhas contas, mas também porque sei que me arrependeria amargamente por isso. Admito que já pensei em abandoná-lo, pois é por causa disso que não consigo largar o cigarro, não só pela falta de concentração, mas devido às dificuldades em lidar com os estresses gerados por ele. Tenho consciência que o problema está em mim, tenho que me reinventar, descobrir algo que substitua o "cigarro para pensar". Entretanto, na prática isso é muito difícil.

Ontem eu perdi a paciência com isso e decidi que hoje, quando eu acordasse, iria na padaria comprar meu cigarro. Dormi pensando que talvez agora ainda não fosse o momento ideal de parar e que eu ainda não havia recebido nenhuma sentença de morte por causa do cigarro. E que, por isso, eu ainda tinha o "direito" de fumar mais alguns dias. Só que não, eu não preciso esperar esta sentença.

Hoje acordei melhor, mais animada em me manter firme. Fiquei alguns minutos me olhando no espelho... percebi como minha gengiva está mais clara, antes ela era escura por causa do cigarro, tinha muito medo de ter câncer na boca e garganta; minha pele está menos opaca e mais viva.
Além disso, lembrei que ontem, quando estava voltando do ioga, subi a ladeira da minha casa correndo sem perder o fôlego, foi aí que percebi o quanto meu corpo está evoluindo e o quanto estão valendo a pena esses dias de sofrimento.

Tudo isso me fortaleceu a não ir na tal padaria, e a me manter firme e forte sem cigarros... 
"Só por hoje"...


7 de mai. de 2014

11º dia - fase depressiva

À beira da loucura!


11º dia sem cigarro e a abstinência não melhora em nada, ao contrário, só piora. 
Acho engraçado como alguns sites sobre abstinência são mentirosos. Aposto que quem os escreve nunca fumou, apenas leu o que dizem os artigos científicos sobre dependência da nicotina (e olhe lá). 
Não me canso de ler sobre o assunto e, quanto mais eu leio, percebo que nada me ajuda, pois, me sinto péssima quando leio que com o tempo os sintomas vão diminuindo e vejo que comigo isso não acontece.
Nos primeiros dias sempre me sinto feliz por estar sem fumar, sinto que vou conseguir, apesar de todos os sintomas pesados como dores fortes de cabeça, enjoos e tonturas... mas, mesmo assim, me sinto animada. Só que com o passar dos dias essa animação vai se afastando e a depressão vai se instalando. Começo a sentir uma tristeza profunda de abandono e solidão, que saudade do meu companheiro!

Ah, e o que mais sinto falta? Do cinzeiro ao lado do computador para acompanhar meus estudos e do maço de cigarros pra me auxiliar a produzir. Sem dúvida alguma essa é a minha maior dificuldade em lidar com a abstinência! E isso só faz piorar o meu estado depressivo, começo a me torturar porque não consigo mais me concentrar e perceber o quanto sou dependente de uma droga é desesperador!
Na verdade, já não sei mais se estou depressiva porque meus neurônios não mais se conectam, ou por causa do próprio efeito da abstinência.  

Queria poder tirar férias pelo ao menos no 1º mês de abstinência, não queria ver ninguém, não queria ter que sair de casa. Mas, infelizmente, não posso. Agora mesmo, tenho que ir à uma reunião com minha orientadora, que me incumbiu de apresentar um trabalho para ela hoje. Só que não consegui terminar esta apresentação, meus receptores nicotínicos estão sedentos e não me permitem focar, estou altamente dispersa! 

O pior (se é que ainda existe algo a mais pra piorar) é ter que esperar compreensão das pessoas por estar nessa situação. Quem nunca fumou é incapaz de entender o que são esses sintomas da abstinência e muitos acham que é frescura. Até mesmo quem já fumou e conseguiu parar, muitas vezes não entendem, esquecem o que passaram. 

Mas... vamos lá... fé e força! Porque foco eu não tenho mais...


5 de mai. de 2014

Sonhar fumando

Gente, quem já sonhou fumando? Nas duas últimas noites sonhei fumando um cigarro e soltando aquela fumacinha deliciosa... ô que saudade! 


Os dias estão passando e a abstinência está piorando, estou cada dia mais alucinada. No meu 8º dia sem cigarro achei que poderia tomar uma cervejinha de leve enquanto fazia o jantar de sábado à noite (antes quando eu ia cozinhar eu fumava um atrás do outro), tomei apenas duas long necks e foi o suficiente para dar aquela fissura pela nicotina. Foi aí que eu percebi que ainda não estou preparada para ingerir álcool neste período de abstinência. Ainda bem que eu não estava no bar, em casa fica mais fácil controlar a vontade, já que não tem ninguém fumando do meu lado e nem tenho cigarro. Foi difícil, posso dizer angustiante, mas passou! 

Está cada vez mais difícil lidar com os efeitos da abstinência. Nestes dois últimos dias (8º e 9º dias sem fumar) o que tem mais me incomodado é a sonolência, que sono é esse hein? Pior que estou evitando a cafeína, aí está mais difícil ainda controlá-lo. Sem falar na tontura, desde o primeiro dia sem cigarro que sinto, principalmente nos horários que mais gostava de fumar, pela manhã quando acordo e quando estou escrevendo. De vez em quando a fissura bate com tanta força que sinto um aperto no peito parecendo que vai me sufocar. E a concentração? É muito difícil manter o foco de leitura e o pensamento constante. Não está fácil, não mesmo. 

É por isso que estou sonhando com o cigarro nos últimos dias e, sinceramente, não acho ruim... pelo ao menos no sonho mato minha vontade de inspirar e expirar uma fumacinha, pelo ao menos no mundo dos sonhos sacio meu desejo pela nicotina. Contanto que ela não saia de lá!

3 de mai. de 2014

7º dia sem cigarro

Como nem tudo são flores, meu 7º dia sem cigarro não foi dos melhores...

Tudo começou quando fui fazer um exame de sangue pela manhã, sou igual uma criança quando preciso tirar sangue, fico muito tensa. Quando acabou a tortura da agulha, sentei numa sala pra fazer o desjejum, onde tinha uma máquina de cappuccino maravilhosa e não resisti, tomei minha primeira dose de cafeína após 6 dias sem fumar. Saí do laboratório alucinada por um cigarrinho e logo de primeira me deparo com uma mulher soltando aquela fumacinha maravilhosa, ô que saudade! Corri pra casa... decidida a continuar sem ingerir cafeína por um bom tempo.

E as provações do dia não pararam por aí... tive uma reunião com minha orientadora do doutorado e soube de novidades que agitaram meu dia. Quem acompanha meu blog sabe que minha maior dificuldade é aguentar a abstinência da falta de concentração e que foi ela que me fez fraquejar na primeira tentativa. Pois então, pensei que tão cedo precisaria da tal concentração, já que já havia terminado a escrita dos meus artigos. Mas, vem bomba por aí... terei que fazer uma apresentação oral num congresso muito em breve e tenho apenas 5 dias para preparar esta apresentação e estar "afiada" para ensaiar com minha "chefa". Agora sim posso dizer que as provações da falta da nicotina estão começando. O maior prazer que tinha com o cigarro era no momento do estudo, o cigarrinho para pensar era o melhor de todos para mim. E agora, o que será de mim? É esperar para ver...

Por fim, para finalizar este dia, estava esperando uma notícia que envolve minha vida pessoal, a qual estava muito ansiosa à espera. Não foi a resposta que eu queria, infelizmente não foi dessa vez :(
Fiquei triste por um bom tempo e a primeira coisa que me veio na cabeça foi ir para o bar tomar todas, como sempre fiz quando algo não dá certo em minha vida. Mas consegui resistir, pois sabia que a primeira coisa que faria seria fumar um maço de cigarros para acompanhar a cerveja. Ao invés de ir ao bar, fui à academia fazer meu pilates, voltei pra casa calminha calminha, como o pilates faz bem! Indico à todos que estão no mesmo barco que eu, pois, além de ser uma atividade física maravilhosa, ainda nos ensina a respirar corretamente e sentir novamente o ar que entra e sai do nosso pulmão. É maravilhoso, gente!

É isso, estou firme, forte e feliz por mais um dia sem cigarro!


2 de mai. de 2014

5º dia sem cigarro

Esses dois últimos dias foram bem mais tranquilos do que eu imaginava. Estou tão feliz que parei de fumar e a consequência disso é que as crises de abstinência estão diminuindo. Creio que a força do pensamento seja um fator importante neste momento e, por isso, lembro sempre dos motivos que me fizeram parar de fumar e os benefícios disto em minha vida. Além disso, a atividade física está sendo fundamental para diminuir as crises, o yoga e o pilates estão me ajudado bastante a diminuir a ansiedade.

Aquela dor de cabeça insuportável que senti nos 3 primeiros dias parou, sinto apenas uma dor leve de vez em quando, que pode ser também devido à TPM, estou perto de menstruar e costumo sentir dor de cabeça nas vésperas. Outra causa desta dor de cabeça pode ser abstinência da cafeína matinal diária, pois todos os dias pela manhã eu costumava tomar 2 a 3 xícaras de café forte, mas depois que parei de fumar estou evitando a cafeína, para evitar os tais momentos de fissura comuns da abstinência.

Nestes últimos dois dias tenho sentido um leve enjoo matinal, mas que logo passa. Este enjoo pode também ser atribuído à TPM, entretanto, não posso descartar a possibilidade de ser causado pela ausência da nicotina, já que é um sintoma comum. 

Fora esses dois sintomas, não tenho sentido mais nada, até a prisão de ventre melhorou :)
É claro que eu dei uma ajudinha com uma alimentação rica em fibras para melhorar o funcionamento do intestino. Não adianta parar de fumar e não mudar os hábitos alimentares, além de inserir algum tipo de atividade física no dia-a-dia. Nosso corpo está acostumado a receber uma substância química (nicotina) a todo momento, a qual tem a capacidade de alterar o funcionamento normal do nosso corpo, portanto, é normal que com a ausência dela cause alterações fisiológicas.

E, por fim, estou muito feliz porque desta vez não estou sentindo nenhuma irritabilidade, nem estou acreditando. Para mim este era o pior sintoma da abstinência. Acho que é porque desta vez estou super decidida a parar de fumar e estou muito feliz por estar conseguindo.


29 de abr. de 2014

3º dia sem cigarro

Pensei que fosse mais fácil ultrapassar a barreira do 3º dia sem cigarro, onde o pico de abstinência da nicotina ocorre. Mas não está sendo! 

Estou sentindo uma dor insuportável e um peso enorme no lado de trás da cabeça, que só melhoram quando fico deitada. Mesmo assim resolvi ir para o yoga, já que atividade física é essencial nesta fase. Porém, esta atividade piorou muito minha dor de cabeça, tive que voltar pra casa antes de terminar a aula. Essa dor de cabeça é um dos sintomas da abstinência da nicotina, não a senti na primeira tentativa de parar de fumar. 

Além disso, estou sentindo muita tontura, que é justificada pela melhora da oxigenação do cérebro devido a ausência de monóxido de carbono. Que coisa boa! Meu corpo está reaprendendo a viver sem o cigarro e o oxigênio está alcançando o meu cérebro, isso me deixa muito feliz :)

E por último, mas não em menor importância, estou com uma terrível constipação intestinal por causa da ausência da nicotina, e isso é muito incômodo, pois não estou acostumada com prisão de ventre. Acho que 99% dos fumantes usam o cigarro ao usar o banheiro, já que o mesmo causa um relaxamento neste momento. Depois da terrível dor de cabeça, esse é o efeito da abstinência que está mais me incomodando.

No mais, não estou irritada como na primeira tentativa e a concentração está baixa, mas a sorte é que esses dias não tenho necessitado muito dela. 

Sinto que é dessa vez! Apesar dos efeitos da abstinência, não tenho vontade de fumar, quero muito largar esse vício e desta vez é para valer, vou conseguir!!!


28 de abr. de 2014

1º dia sem cigarro - 2ª tentativa

Estou de volta! E dessa vez é para valer!!!
Mais do que nunca estou decidida a não colocar mais nenhum cigarro em minha boca e dessa vez será definitivo.

Como na 1ª tentativa, escolhi uma data para esse intento, pois essa história de parar aos poucos (diminuindo a quantidade de cigarros durante o dia) para mim não dá certo, sou muito compulsiva e comigo isso não funciona. Então, escolhi uma data e um horário para fumar meu último cigarro: dia 26/04/2014, às 18hs, fumei meu último cigarro.

Escolhi esta data porque estava voltando de uma viagem maravilhosa que fiz e acredito que o ideal é escolher um momento em que a vida não esteja atribulada e que os níveis de estresse estejam mínimos. É claro que momentos estressantes sempre existirão, mas é melhor que os primeiros dias sem cigarro, que são os piores, não sejam em momentos muito estressantes.

Na verdade, ia parar no início da viagem. Mas na cidade que eu fui as pessoas fumavam muito, nunca vi tanta gente fumar como em Buenos Aires. Então, ficou muito difícil parar quando eu estava lá. Inclusive, indico aos que desejam parar de fumar que peçam ajuda aos familiares e/ou amigos que também fumam, pois fica muito complicado parar de fumar e ficar vendo fumantes ao redor bem como sentindo o cheiro de cigarro.
Durante a semana que estava lá, tentei reduzir o número de cigarros durante o dia, mas à noite era mais difícil, pois não resistia aos maravilhosos vinhos argentinos e, como todo fumante sabe, o álcool aumenta a vontade de fumar. Por isso, agora vou dar um tempo no álcool e no café preto do dia-a-dia. É essencial maneirar no consumo desses estimulantes pelo ao menos neste momento inicial, durante o primeiro mês.

Meu primeiro dia sem cigarro nesta 2ª tentativa foi bem mais tranquilo que na 1ª, não sei exatamente o motivo, já que na 1ª tentativa eu também estava numa viagem maravilhosa. Mas, o que posso dizer é que cheguei ontem de viagem e passei meu primeiro dia sem cigarro tranquilamente, sem irritabilidade e episódios depressivos, apenas com aquela constipação intestinal comum de quando paramos de fumar, devido a ausência da nicotina (que é estimulante do sistema nervoso parassimpático... pretendo fazer um post futuramente sobre os efeitos fisiológicos da nicotina para que possam entender melhor seus efeitos no nosso organismo e, consequentemente, os efeitos de sua abstinência).

Não posso deixar de levar em consideração que passei o 1º dia sem cigarro em casa e sem problemas externos relacionados ao trabalho. Talvez isso tenha ajudado em o dia não ter sido tão irritante. De qualquer forma, dessa vez vou me manter firme, não deixarei que pessoas ou momentos estressantes me façam acender um cigarro. Mais que nunca quero parar com esse vício maldito, e estou terminando o 2º dia sem cigarro firme e forte.

Escreverei aqui diariamente e partilharei das minhas experiências com vocês! Boa sorte para mim e para todos que estejam neste mesmo barco. Contem suas histórias também, isso ajudará a me manter forte neste momento, bem como ajudará outras pessoas que também acompanham este blog.


Rio de la plata (Argentina)- leve consigo meu último cigarro!

8 de abr. de 2014

Uma guerra formada por muitas batalhas

Esta semana está difícil dar início a mais uma tentativa de parar de fumar, estou muito atribulada com prazos de atividades do doutorado e está complicado passar pelos alucinantes primeiros dias sem cigarro. Disse isso em uma das minhas primeiras postagens e vou repetir, é essencial que, no mínimo, nas duas primeiras semanas a pessoa esteja num momento tranquilo de sua vida,  pois são dias muito irritantes, depressivos e de extrema falta de concentração. Na verdade, o recomendado para quem deseja parar de fumar é procurar ajuda psiquiátrica, porém, me recuso a usar medicamento. Pois, se eu quero me livrar de uma droga, porque vou usar outra? Mas, quero deixar claro que qualquer pessoa que queira parar de fumar pode pedir ajuda ao médico para minimizar os efeitos da abstinência. Já existem muitos medicamentos eficazes no tratamento do tabagismo. Inclusive, vale a pena ressaltar que, dependendo do caso, o médico solicita que o paciente tabagista diminua a carga de trabalho ou até mesmo que seja afastado temporariamente de suas atividades diárias. Infelizmente, eu não posso ter essas regalias, sou uma mera bolsista de doutorado, que tem prazos e não posso me dar ao "luxo" de pedir licença. 

Então, como sei que a luta não vai ser tão simples assim e para não desanimar nem perder a fé, resolvi me preparar psicologicamente para mais uma nova tentativa, pois desta vez não quero mais fracassar. Fui à livraria em busca de ajuda e, apesar de não gostar do gênero auto-ajuda, resolvi assumir minha fraqueza e procurei um livro que me auxiliasse nesse momento que estou vivendo. Encontrei um livro de Augusto Cury, Superando o cárcere da emoção. Já ouvi falar deste autor, ele é um psiquiatra e psicoterapeuta famoso por seus best-seller. E, em homenagem à um leitor que acompanha meu blog e que está desanimado consigo mesmo, se sentindo fracassado porque já teve várias recaídas, resolvi transcrever um trecho que li hoje neste livro e achei que se encaixa perfeitamente com este momento pós-recaída:

Para evitar os deslizes ou tornar-se uma pessoa mais forte após uma recaída, é necessária verdadeira engenharia intelectual, composta por:
1) Nunca desistir de si mesmo. Tentar sempre. Aprender a ser um agente modificador da sua história;
2) Não ter medo de suas dores e frustrações, mas trabalhá-las com dignidade;
3) Aprender a ter prazer nos pequenos momentos da vida.

Na minha opinião, o pior depois de uma recaída é voltar a acreditar em si mesmo. É difícil, mas concordo com o que esse tal de Augusto Cury escreveu, não devemos desistir de nós mesmos, precisamos ter coragem de enfrentar novamente as dificuldades de parar de fumar, sem medo de fracassar, buscando novos prazeres capazes de substituir o cigarro. Eu já comecei a fazer isso desde que o ano começou, ainda estou firme e forte no yoga e pilates. Mas, sem perder a consciência que ainda há muitas batalhas pela frente e sem perder a fé em vencer esta guerra.


5 de abr. de 2014

O dia do fracasso

Estou de volta! Após três semanas sem escrever aqui no blog, voltei com força total.
Alguém adivinha o porquê do meu sumiço? Não é difícil deduzir...

Sim, fracassei. Voltei a fumar e vou contar a vocês o que houve. 

Depois do 15º dia sem cigarro a abstinência piorou e muito, parecia que eu ia enlouquecer, é uma sensação que só quem passa entende. Por isso que escolhi parar de fumar no carnaval, pois estava numa viagem maravilhosa e com pessoas queridas. Porém, infelizmente, após o 15º dia eu precisava voltar às minhas atividades diárias e à minha rotina. Precisava escrever um artigo científico, tinha prazo para entregar e não podia mais adiar, foi então que a coisa desandou, a tentativa de parar de fumar foi frustrada.

É impressionante como a abstinência da nicotina afeta a capacidade de concentração e raciocínio do indivíduo (isso é fisiologicamente explicável) simplesmente eu não conseguia produzir, não tinha concentração e muito menos motivação para escrever, já que nessa fase da abstinência temos episódios depressivos (devido a ausência dos hormônios responsáveis pelo prazer que a nicotina estimula a produção). 

Foi neste momento que fracassei e imediatamente fui comprar uma carteira de cigarro. E é com muita vergonha que admito isso. Sim, eu fracassei. Mas isto não impede que eu tente novamente. Vou parar de fumar! E conto com a ajuda deste blog para alcançar minha meta. Hoje comprei meu último maço de cigarros e, desta vez, será o último mesmo! 

E para encerrar este post, deixo um link de uma música do eterno Raul Seixas, que combina exatamente com este momento: http://www.vagalume.com.br/raul-seixas/tente-outra-vez.html

"Tente outra vez"
Veja
Não diga que a canção está perdida
Tenha fé em Deus, tenha fé na vida
Tente outra vez

Beba
Pois a água viva ainda está na fonte
Você tem dois pés para cruzar a ponte
Nada acabou, não não não não

Tente
Levante sua mão sedenta e recomece a andar
Não pense que a cabeça aguenta se você parar, 
não não não não
Há uma voz que canta, 
uma voz que dança, 
uma voz que gira
Bailando no ar

Queira
Basta ser sincero e desejar profundo
Você será capaz de sacudir o mundo, vai
Tente outra vez

Tente
E não diga que a vitória está perdida
Se é de batalhas que se vive a vida
Tente outra vez

17 de mar. de 2014

15º dia sem cigarro

Definitivamente,  até agora este foi o pior dia de todos!

Acordei muito agitada e com uma vontade louca de voltar a fumar. Sabe aquele dia em que você cansa de ter forças e sente saudade daquela vida "tranquila" que você tinha quando fumava? Foi isso que aconteceu. Passei o dia com saudade do cigarro e por pouco, mas por muito pouco mesmo não fui na padaria aqui do lado da minha casa comprar um maço de cigarros. A sensação que eu tinha é que só assim eu conseguiria voltar a produzir, pois desde que parei de fumar não consigo fazer mais nada que exija concentração e raciocínio. 

Para aliviar essa angústia, comecei a escrever no blog e contar como tudo começou.
Ao longo do dia, a angústia foi piorando e, pela primeira vez nesses 15 dias sem cigarro, tive uma das tais crises depressivas que acompanham a abstinência da nicotina. Passei uma hora chorando sem parar, achando que não conseguiria viver sem o cigarro e que não ia conseguir passar por esse momento. Muito ruim essa sensação de tristeza sem um motivo aparente. Deu pra sentir como sofre um paciente com depressão, é uma tristeza profunda e inexplicável. Só quem já sentiu é capaz de entender.
E o que eu fiz para passar essa tristeza? Escrevi no blog... 

E assim acabou mais um dia sem cigarro...