16 de jun. de 2014

Síndrome de abstinência da nicotina - parte 2

Quem está parando de fumar sabe o quanto é difícil suportar os momentos de fissura pelo cigarro e como é difícil viver independente dele!
Mas, por que a retirada da nicotina provoca esse desejo tão intenso conhecido como fissura
E por que algumas pessoas tornam-se dependentes rapidamente, enquanto outras não?


Nosso cérebro, produz e libera dopamina fisiologicamente, que é um dos neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer e recompensa em estados normais. Ao fumar, a nicotina provoca a liberação de mais dopamina no Sistema Nervoso Central (SNC), numa região chamada de nucleus accumbens, e o efeito desta liberação é o aumento do prazer e do sistema de recompensa cerebral. 

Ao retirar a nicotina, o cérebro deixa de ter esse sistema de recompensa e começa a "suplicar" por mais nicotina para sentir prazer. Por isso sentimos esse desejo intenso de fumar, essa tal fissura que parece sufocar. 

Além disso, como já disse em outro post (veja aqui), a nicotina age em receptores específicos no cérebro, e a constante ativação desses receptores provoca a síntese de mais receptores.
O aumento da quantidade de receptores provoca a necessidade de um maior número de moléculas de nicotina pra produzir o mesmo efeito recompensador. Isso faz com que busquemos mais droga pra satisfazer o mesmo efeito, ou seja, à medida que o tempo passa, fumamos mais e mais cigarros... e isso não acaba! 

Esse efeito é conhecido como tolerância. Não é apenas a nicotina que provoca este efeito, outras drogas, como o álcool e a cocaína, também provocam esta resposta, esta necessidade de uma dose maior da droga para alcançar o mesmo efeito prazeroso de antes. 

Algumas pessoas possuem certo tipo de aversão à nicotina e, por isso, quando experimentam um cigarro não se tornam dependentes. Por que isso acontece?
Estudos já detectaram variabilidades genéticas (conhecidos como polimorfismos) que podem influenciar no desenvolvimento da dependência pela nicotina. Algumas pessoas possuem alterações moleculares na região do sistema de recompensa da dopamina.
Então, ao experimentar um cigarro, você pode tornar-se dependente ou, simplesmente, ter uma reação aversiva ao cigarro. Vai depender da sua genética, ou seja, do seu histórico familiar. Já foi demonstrado que o componente hereditário é responsável por cerca de 60% da resposta dependente.

Por isso que sempre digo que o ideal é não experimentar. Vai querer arriscar entrar nessa prisão? Se eu pudesse voltar no tempo, quando tinha meus 14 anos, certamente não teria experimentado!

Agora não adianta mais "chorar pelo leite derramado", é hora de seguir em frente, que a luta está apenas começando...


15 de jun. de 2014

Influência familiar no tabagismo

Essa Copa me fez lembrar momentos de confraternizações familiares e resgatei uma foto da minha infância:


Ao meu lado está minha tia, que resolvi não mostrar para preservá-la!
Mas observem a mão dela, em destaque de vermelho...

Essa foto me fez refletir algumas relações que tenho com o cigarro. Afinal de contas, sua presença em minha vida já está enraizada, passei minha infância toda cheirando essa fumacinha. Sim, comecei o vício pela nicotina desde pequena, visto que era fumante passiva. Já foi comprovado que crianças filhas de pais fumantes, tendem a se tornar dependentes uma vez que experimente um cigarro. É claro que existem exceções, as variabilidades genéticas também determinam esta resposta.

Mas enfim, o fato é que estou aqui, aos 31 anos, lutando contra um vício que praticamente foi pré-determinado pela influência familiar na minha infância. Quando descobri isso fiquei revoltada e queria convencer a todos da minha família a pararem de fumar (minha mãe é a única que já parou). Hoje não culpo mais ninguém, apenas sigo em frente em busca do meu objetivo, cada um sabe (ou não) a hora de parar. Quem sou eu para decidir a vida do outro? 

Cada um tem seu tempo, cada um escolhe seu destino. Eu decidi cuidar de mim! Eu quero viver, quero ser livre de novo. E, principalmente, quero ser mãe! Preciso vencer essa guerra contra o cigarro!!!

Começa amanhã, vamos lá...

Porque eu não vou desistir!!!


14 de jun. de 2014

Copa do mundo x Cigarro?!!

Foi numa copa do mundo que pela primeira vez tive vontade de fumar, aos 11 anos, copa de 1994, quando o Brasil foi tetracampeão. Passei todos os jogos com vários adultos ao meu redor, fumando e bebendo muito. Desde essa época eu já tinha vontade de experimentar um cigarro. Mas não passou da vontade!

A minha primeira copa fumando foi a de 98, tinha 15 anos e fumava escondido aqueles cigarros mentolados. Como todos fumavam, ninguém sentia o cheiro, ficava fácil fumar escondido. De lá pra cá foram 4 copas como fumantes, quero que esta copa de 2014 seja minha 5ª e última copa como fumante.

Preciso me redescobrir, ou mesmo lembrar um pouco de quem eu era antes de ser fumante. Ocupar os espaços que o cigarro deixa e seguir em frente!

Como diz minha amiga Mari, do blog:
www.adeusaomundodemarlboro.blogspot.com.br
"Caiu, levanta! Fraco é quem não tenta."

E em agradecimento à minha amiga Débora, do blog:
www.cantinhoparanoico.blogspot.com.br
Ela que resgatou minha paixão por minhas unhas, com seus posts sobre unhas, eu ia em seu blog ver suas histórias e crises de abstinência da nicotina, e lá encontrava esmaltes. Relembrei o quanto amo as minhas unhas e estou tentando mantê-las bonitas e bem cuidadas.


E ainda fiz uma homenagem à Copa do Mundo!

Queria que soubessem que para mim, uma das melhores coisas de ter esse blog, é ter o apoio, o carinho e a atenção de vocês (Mari e Débora).

Vou à luta, estou com meu último maço de cigarros na mesa, aqui ao lado do pc. Depois que acabar esse, não comprarei mais, seguirei em frente, de cabeça erguida. Dessa vez com uma ajudinha da farmácia :)

Está chegando a hora, é agora!!!


11 de jun. de 2014

Adesivos e pastilhas de nicotina

Ontem recebi uma encomenda do Rio de Janeiro, de uma amiga blogueira Mariana Azevedo (do blog: www.adeusaomundodemarlboro.blogspot.com.br)....


Ela está sem fumar há uns três meses e conseguiu parar com a ajuda da reposição de nicotina. Hoje ela não precisa mais dessa "muleta" e resolveu doar umas pastilhas e uns adesivos de nicotina que sobraram, no intuito de incentivar-me! E eu fiquei muito feliz com isso :)
Obrigada, Mari!

Estou numa correria esses dias com uns assuntos profissionais e, por isso, ainda não tive coragem de parar de fumar, pois prefiro não me arriscar agora. Tenho receio de perder oportunidades importantes na minha vida neste momento e não me sinto segura pra aguentar os primeiros dias sem cigarro exatamente agora, pelo simples fato de que eu não consigo controlar o estresse e a falta de concentração que sinto nos primeiros dias de abstinência. 

Mas, a cada dia que passa estou mais convencida de que quero e vou parar de fumar! Semana que vem eu paro e dessa vez será pra valer! Não haverá mais nada que irá me tirar do foco e estas nicotinas terapêuticas chegaram no momento certo, pois esta semana já comecei a diminuir o número de cigarros diários. Sinto que vou conseguir!

Esses dias encontrei uma amiga companheira de soltar fumaça e não acreditei quando ela me disse que está há um mês sem fumar, isso me incentivou muito. Além disso, esses dias tenho estudado uns assuntos que só reforçam a necessidade de parar com esse vício, não quero morrer cedo, não mesmo!

A partir da semana que vem darei mais atenção ao blog, tentarei me organizar e separar um tempinho para escrever mais... Dessa vez estou firme, sei que vou conseguir vencer esse vício... até breve!!!


2 de jun. de 2014

Uma cidade que não tem fumantes

Esta semana viajei para o tal congresso que me fez voltar a fumar na última tentativa de parar (veja aqui).

João Pessoa/PB

Tinha esquecido que ninguém fuma em João Pessoa, como é impressionante isso! É muito difícil ver um fumante na rua, nem mesmo onde fiquei hospedada havia alguém com um cigarrinho na mão. Fiquei encantada com isso, até estimulava a fumar menos (apesar da ansiedade devido a apresentação). Eu tinha vergonha de acender um cigarro na frente dos outros, sempre tinha que sair e me esconder para fumar. Por isso, fumei menos, mas ainda não consegui parar, infelizmente. Estou numa época muito agitada, mas já na fase de "preparação para a ação", ou seja, estou me preparando para deixar o cigarro, pois já me conscientizei que tenho de parar. Li sobre isso num livreto sobre cigarro que falava sobre as fases para deixar de fumar, achei interessante!

Quando estava no aeroporto, eu percebi que havia despachado minha bagagem com a revista e o livro que estava levando pra ler na viagem, então eu resolvi ir na livraria. Como eu já tinha em mente aquela história de parar de fumar logo após a apresentação no congresso, logo bati o olho no livreto sobre cigarros, de uma coleção do médico Drauzio Varela. Tem muita coisa que já mencionei aqui no blog, mas também tem informações novas... fala de testes utilizados para avaliar o nível de dependência da nicotina e sobre fumantes passivos.

Achei interessante compartilhar com vocês este livro, pois tem uma linguagem acessível a todos, além de conter informações que englobam vários assuntos relacionados ao tabagismo. É um livro bem pequeno com apenas 60 páginas, li durante as 2hs de vôo (se bem que sou um pouco suspeita, já que este tema me atrai muito e acabo lendo rapidinho). É uma leitura para qualquer pessoa que tenha curiosidade no assunto: fumantes, ex-fumantes, pessoas que estão começando a fumar (principalmente adolescentes) e até mesmo pessoas que queiram ajudar alguém próximo a parar de fumar. Veja o conteúdo do livro na foto abaixo:

Vale a pena ler! Deve ter em qualquer banca de revista e é bem baratinho...

Enfim, estou decidida a parar de fumar, mas estou me conformando que preciso de ajuda. Vou tentar parar com auxílio do adesivo da nicotina, em breve conto a vocês como e quando será!


20 de mai. de 2014

Vou parar de fumar!

Eu vou parar de fumar! Porque não tem mais graça essa história de colocar fumaça dentro dos meus pulmões e eu quero muito parar... Querer é poder e eu vou conseguir!

É como disse minha companheira blogueira Mariana em um post dedicado à mim: "nesse game só fracassa de verdade quem para de tentar" (veja clicando aqui)... e é com a sua ajuda e a de minha nova amiga Débora (veja o blog dela aqui) que eu entrarei novamente na luta.

Eu havia dito em outro post que só iria tentar novamente em dezembro (veja aqui), mas eu decidi tentar antes disso. Isso porque mesmo fumando eu não me sinto feliz, continuo depressiva só que agora o motivo não é mais a abstinência da nicotina. A cada cigarro que acendo me sinto péssima, não apenas porque sei o mal que estou causando à minha saúde, mas porque sinto que o cigarro é mais forte do que eu. Preciso provar à mim mesma que sou mais forte que este vício, preciso dar um basta nesta história de dependência!

Como todas as outras vezes que tentei parar "na tora" não deram certo, desta vez farei diferente. Vou parar fazendo o desmame, começarei reduzindo a quantidade de cigarros fumados diariamente. E então, no dia 31 de maio, dia nacional de combate ao tabaco, e dia em que apresento o tal trabalho no congresso, fumarei meu último cigarro!

Então, dia 1º de junho colocarei o adesivo de nicotina fase 3, porque desta vez não quero passar pelos sintomas cruéis de abstinência que passei nas outras vezes. Admito minha impotência e utilizarei a bendita nicotina terapêutica.

Daqui até lá vou contando pra vocês como está sendo a redução dos cigarros diários. E vamos lá, rumo ao:



18 de mai. de 2014

Síndrome de abstinência da nicotina - parte 1

Este post é para pessoas que tenham curiosidade em entender o que acontece com o nosso corpo quando resolvemos parar de fumar, é para quem quer saber quais efeitos fisiológicos causados pela nicotina e as consequências de sua retirada. A síndrome de abstinência desta droga provoca muitos efeitos e, para evitar que fique um texto grande e cansativo, resolvi dividir as postagens sobre este assunto. 

A nicotina é uma substância química (mais detalhes em link) que tem sua ação fisiológica por atuar em receptores específicos localizados em diversas células do nosso corpo. Estes receptores recebem o nome de nicotínicos e estão localizados no cérebro, glândulas, músculos e nervos, sendo responsáveis por regular diversas funções no nosso organismo.

No cérebro, os receptores nicotínicos, quando estimulados pela nicotina, induzem a liberação de diferentes neurotransmissores. A figura abaixo resume quais são esses neurotransmissores e algumas das funções que eles controlam:



Portanto, ao retirar a nicotina deixamos de "alimentar" estes receptores e então surgem alguns dos sintomas da crise de abstinência:
  1. Irritabilidade e mal-humor
  2. Aumento do apetite
  3. Falta de concentração
  4. Ansiedade
  5. Sonolência 
Entretanto, algumas pessoas têm insônia quando param de fumar, isso porque em doses mais elevadas a nicotina tem um efeito depressor, ou seja, induz o sono, e é por isso que, ao retirá-la, alguns têm dificuldade para dormir. Então, este efeito da abstinência em relação ao sono irá variar dependendo do número de cigarros que a pessoa fumava, bem como de outros fatores pessoais relacionados ao estilo de vida de cada um.

Ainda no cérebro, a retirada da nicotina provoca depressão e este sintoma foi abordado em outro post, veja neste link aqui.

Algumas pessoas podem perguntar: "Por que quem não fuma consegue produzir todos esses neurotransmissores sem precisar da nicotina?"...
Isso acontece porque todos nós temos esses receptores nicotínicos e produzimos endogenamente uma substância que os ativam, a acetilcolina. No cérebro, a acetilcolina é capaz de induzir impulsos elétricos que sinalizam a liberação de alguns destes neurotransmissores citados na figura acima.

Todos nós temos a capacidade de sintetizar acetilcolina, porém, a estimulação contínua destes receptores pela nicotina provoca a síntese de novos receptores e isso faz com que a acetilcolina que nós produzimos seja incapaz de satisfazer a maior quantidade de receptores que agora precisam ser ativados para produzir o mesmo efeito.
O aumento no número desses receptores induzido pela nicotina é um dos motivos pelo qual esta droga é altamente capaz de provocar dependência (em outro post sobre síndrome de abstinência, falarei mais sobre a fissura e o mecanismo de dependência da nicotina).

Uma curiosidade é que, quando estes receptores foram descobertos pelos cientistas, foram nomeados "receptores nicotínicos" exatamente pela capacidade da nicotina de ativá-los com altíssima especificidade, maior até que a própria acetilcolina que nós produzimos endogenamente. O que demonstra mais uma vez a elevada capacidade desta droga de provocar dependência química.

São muitos os efeitos fisiológicos da nicotina, aos poucos falarei sobre cada um deles.

*Caso alguém tenha curiosidade de saber sobre algum sintoma específico, ou mesmo se deseja saber mais detalhadamente sobre os mecanismos fisiológicos de algum dos sintomas, sinta-se à vontade para pedir. Farei o possível para esclarecer dúvidas sobre este assunto!


15 de mai. de 2014

Depressão e tabaco


Este post é em homenagem à uma queridíssima blogueira, que está passando por momentos de dificuldades depois que parou de fumar. E, o pior de tudo, é que as pessoas próximas à ela não a entendem. Por isso, na tentativa de ajudá-la a convencer estas pessoas de que seu estado é real, vou falar um pouco sobre a depressão e sua relação com o tabaco, incluindo a relação entre os efeitos fisiológicos da abstinência da nicotina e a determinação do quadro depressivo.

Antes disso, vou fazer uma breve descrição da minha formação acadêmica, apenas no intuito de dar credibilidade ao que vou escrever, já que muitos julgam os ex-fumantes como loucos e dramáticos.
Sou farmacêutica graduada há quase 5 anos, concluí meu mestrado há dois anos na área de produtos naturais com ênfase em farmacologia, estou no último ano do doutorado em ciências da saúde e já dei aula de fisiologia e farmacologia. Todos estes anos de estudo e pesquisa me dão base suficiente para falar com propriedade sobre a fisiologia da nicotina e os seus efeitos no sistema nervoso central. 
Vou tentar ser didática e escrever de forma bem simples para que todos consigam compreender. No final do post, colocarei algumas referências de artigos científicos para caso alguém queira aprofundar a leitura sobre o assunto.

A capacidade que nós temos de sentir emoções é devido à produção de neurotransmissores em nosso cérebro, tais como dopamina, serotonina e noradrenalina. São estes hormônios os responsáveis pelas nossas sensações e eles estão relacionados com o controle de diversos sintomas emocionais, que podem ser observados na  figura abaixo:


A depressão é uma doença caracterizada pela redução dos níveis cerebrais destes neurotransmissores. Portanto, a ausência de noradrenalina diminuirá a energia e o interesse; a ausência de serotonina irá diminuir a capacidade de controlar o impulso; a ausência de noradrenalina e serotonina irá reduzir a capacidade do indivíduo em controlar a ansiedade e a irritabilidade; a deficiência em dopamina irá diminuir a iniciativa em realizar tarefas corriqueiras; e, por fim, a ausência dos três irá reduzir o humor, a capacidade de controlar as emoções e a função cognitiva (capacidade de memória, atenção e raciocínio).  

Um dos efeitos da nicotina é aumentar a liberação destes hormônios no sistema nervoso central. A nicotina se liga em receptores específicos no cérebro, denominados receptores nicotínicos. Estes receptores, quando ativados, provocam a liberação destes neurotransmissores, melhorando todos estes estados emocionais.

Ao parar de fumar, o indivíduo deixa de produzir noradrenalina, serotonina e dopamina na mesma quantidade de antes, perdendo a capacidade de controlar todas essas emoções, por isso que a abstinência da nicotina provoca um estado depressivo, além de irritabilidade, falta de concentração, dentre outros sintomas.

Com o tempo, a produção destas substâncias se regulariza, porém, em algumas pessoas isso não acontece (ou demora mais para acontecer) porque estão mais propensas ao estado depressivo, devido a fatores variáveis que estão sendo estudados pelos cientistas. Pode estar relacionado a:

  1. Tempo de uso da nicotina
  2. Quantidade de cigarros fumados diariamente
  3. Quando foi iniciado o tabagismo (pessoas que começaram a fumar por volta dos 15 anos estão mais propensas)
  4. Fatores genéticos

Portanto, o tabagismo hoje é considerado uma doença crônica e não uma frescura. Atualmente, é considerado um problema de saúde pública! E já existem milhares de estudos com o intuito de descobrir medicamentos que auxiliem no tratamento para pessoas deixarem de fumar e alguns deles já estão disponíveis no mercado. Dentre estes medicamentos, alguns são da classe dos antidepressivos, depois escreverei um post sobre eles. 

Alguns fumantes conseguem parar sem usar medicamentos, mas outros precisam deles. Eu mesma me recuso a utilizá-los, pois antidepressivo é uma droga que provoca dependência tal como a nicotina e que tem vários efeitos colaterais indesejáveis. Por isso, prefiro tentar parar de fumar sem procurar ajuda médica. Caso eu não consiga, admitirei minha fraqueza e procurarei auxílio medicamentoso. 

O que deve ficar claro é que cada pessoa tem suas particulares, o importante é fazer uma relação "risco x benefício" e analisar suas necessidades. Se você está percebendo que não consegue parar sem um adjuvante e sua saúde está prejudicada por causa do tabaco, o ideal é procurar um médico, de preferência especialista em tabagismo.

O que não pode é ficar se martirizando e se culpando por não conseguir. Não se compare à outras pessoas que conseguiram parar de fumar sem utilizar nada. Lembre-se sempre que cada indivíduo tem a sua história e suas particularidades. 


- Listei algumas referências para quem se interessar e quiser aprofundar a leitura sobre o assunto. Como não sei anexar os arquivos aqui no blog, vou colocar os links para vocês encontrarem na internet.
Infelizmente, alguns são artigos científicos que são pagos e só dá pra baixar gratuitamente pela universidade. Mas caso alguém se interesse, é só me pedir que envio por e-mail.
  1. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22558621
  2. http://www.scielo.br/pdf/jbpneu/v34n10/v34n10a14.pdf
  3. http://link.springer.com/article/10.1080%2F10298420290023963
  4. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0278584614000311


13 de mai. de 2014

Último fracasso

Quem acompanha meu blog desde o início já deve ter percebido que quando eu passo alguns dias sem postar o pior aconteceu, não é mesmo? Então, dessa vez não foi diferente. Eu desisti!
Demoro de postar porque tenho vergonha de vocês, meus leitores. Tenho vergonha de ter sido fraca e tenho medo de influenciar os que estão firmes e fortes. 

Na verdade, eu desisti de parar de fumar agora, mas isso não quer dizer que não vou parar, que desisti de vez. Apenas resolvi admitir minha impotência neste momento e assumir que não estou num momento ideal para enfrentar todos esses sintomas da abstinência. 

A questão é que estou no meu último ano de doutorado e o cerco está fechando. Vou fazer uma apresentação oral num congresso daqui a 15 dias e meus "tico e teco" não estavam funcionando direito. Não foi por falta de tentativa, passei 14 dias tentando me concentrar, estudar e produzir, mas não consegui.
Estou muito atribulada com artigos para ler, experimentos para fazer, apresentações orais para preparar e, simplesmente, passei duas semanas improdutivas apenas vivendo e tentando aprender a lidar com a abstinência da nicotina. Simplesmente, cansei! Cansei de me sentir depressiva e desanimada, cansei de ficar estressada e decidi que não será agora que irei me despedir do meu "querido" cigarro.

Ah, gente! Passei a minha vida inteira fumando, logo agora que estou terminando um ciclo em minha vida, eu tenho que ficar me angustiando por causa da falta que o cigarro me faz? Sinceramente, não acho que mais alguns meses fumando irão me matar. O que não dá mais é ficar arriscando meu futuro profissional por causa dessa abstinência, pois foi quase isso que aconteceu. Não dá pra entrar em detalhes por aqui, mas estejam certos que não foi à toa que tomei esta decisão.

Entretanto, é como eu disse... não vou desistir de parar de fumar, apenas não pararei agora. Programei uma data para deixar de vez o cigarro: 16/12/2014, no dia da minha defesa do doutorado, fumarei meu último cigarro!

E, para não deixar de escrever no blog, daqui até lá abordarei alguns assuntos que considero interessantes relacionados ao cigarro. Gosto de escrever e aproveitarei os meus conhecimentos sobre fisiologia e farmacologia para falar sobre os mecanismos fisiológicos da nicotina, sobre os tratamentos disponíveis, os fatores relacionados à dependência química desta droga, os malefícios causados pelo cigarro, bem como outros assuntos relacionados à este tema.

Apesar de ser fumante há mais de 10 anos, sou amante da alimentação saudável há mais de cinco anos e gostaria de compartilhar algumas informações oriundas de pesquisas e leituras que realizo há muito tempo, sobre alimentos que auxiliam na prevenção e na redução dos prejuízos causados pelo cigarro. Sempre fui defensora de que não adianta você não fumar e se alimentar mal. Tudo que ingerimos irá interagir com nosso corpo de alguma forma e não custa nada tentar diminuir os males causados pelo tabaco.

Agradeço à todos que me acompanham...
Peço desculpas aos que decepcionei...
E continuo torcendo pelos que estão na luta. Não desistam! Cada um tem a sua história...


8 de mai. de 2014

"Só por hoje"


Nunca esse "só por hoje" foi tão eficaz desde que parei de fumar. Por muito pouco, muito mesmo, eu quase desisti de tudo e fui na padaria comprar cigarro (toda vez que paro de fumar eu passo longe da padaria que tem aqui ao lado da minha casa, pois meu cérebro já a associa ao cigarro, era lá que eu ia todas as manhãs comprar meu maço de cigarros). 

O que aconteceu foi que, definitivamente, não consigo produzir sem o cigarro, é uma coisa muito louca isso, mas meu cérebro está condicionado a associar o cigarro ao estudo. Sinto-me depressiva sem meu cinzeiro ao lado do computador e isto está cada vez pior. Às vezes, penso que terei que trocar de atividade, fazer algo que não exija muito concentração, raciocínio, articulação de ideias e criatividade. Em minha profissão tem muitas áreas que são assim, que não exigem nada disso, que o trabalho é mais técnico e mecânico. Nunca gostei desses tipo de trabalho e foi por isso que partir para a área acadêmica, mas estou me rendendo à esta possibilidade, talvez assim eu consiga ficar sem o cigarro.

Infelizmente, não posso desistir do meu doutorado, não apenas por eu ser bolsista e precisar do dinheiro pra pagar minhas contas, mas também porque sei que me arrependeria amargamente por isso. Admito que já pensei em abandoná-lo, pois é por causa disso que não consigo largar o cigarro, não só pela falta de concentração, mas devido às dificuldades em lidar com os estresses gerados por ele. Tenho consciência que o problema está em mim, tenho que me reinventar, descobrir algo que substitua o "cigarro para pensar". Entretanto, na prática isso é muito difícil.

Ontem eu perdi a paciência com isso e decidi que hoje, quando eu acordasse, iria na padaria comprar meu cigarro. Dormi pensando que talvez agora ainda não fosse o momento ideal de parar e que eu ainda não havia recebido nenhuma sentença de morte por causa do cigarro. E que, por isso, eu ainda tinha o "direito" de fumar mais alguns dias. Só que não, eu não preciso esperar esta sentença.

Hoje acordei melhor, mais animada em me manter firme. Fiquei alguns minutos me olhando no espelho... percebi como minha gengiva está mais clara, antes ela era escura por causa do cigarro, tinha muito medo de ter câncer na boca e garganta; minha pele está menos opaca e mais viva.
Além disso, lembrei que ontem, quando estava voltando do ioga, subi a ladeira da minha casa correndo sem perder o fôlego, foi aí que percebi o quanto meu corpo está evoluindo e o quanto estão valendo a pena esses dias de sofrimento.

Tudo isso me fortaleceu a não ir na tal padaria, e a me manter firme e forte sem cigarros... 
"Só por hoje"...